“Bicha Oca” volta em cartaz com nudez explícita em curta temporada (NSFW)

A peça que é inspirada em cinco contos do autor pernambucano Marcelino Freire é dirigida e interpretada Rodolfo Lima  e nessa temporada conta com a participação do ator Hugo.

Bicha Oca traz a cena Seu Alceu, um homossexual envelhecido que rememora seu passado e suas histórias de forma ácidas e pontuais sobre os hábitos dos gays junto a uma outra personagem que tem como função primordial confundir o público e propor que eles se aquietem e se seduzam por sua imagem nua (linda, por sinal).

“Eu tinha vontade de fazer essa personagem exatamente pelo desafio que a nudez representa para a maioria das pessoas. A nudez em cena diz coisas diferentes para cada pessoa que assiste, nem que seja apenas pelo fato de ser um ato normalmente privado tornado público. E para mim a nudez é importante no teatro por desafiar essa razão de ser da privacidade do nu. Por que o nu é tão escondido, privado?”, diz Hugo, que aparece nu em cena.

Segundo o diretor, a comunidade LGBT ainda tem preconceito com o nome da peça por ser uma minoria que julga muito antes de conhecer ou procurar saber mais e diz que já foi aconselhado a mudar o título por não ser comercial.

“Minha peça é a minha melhor arma contra o preconceito. Sente, assista e depois julgue. Agora não seja óbvio e cafona, julgando o livro pela capa. O Autor tem um trabalho sério com as minorias e a escrita, então quando fazem chacota ou desprezam o trabalho sem conhecê-lo acho triste”.

Quem assiste à peça sofre um misto de medo, identificação e negação. Os mais velhos se reconhecem, claro porque Alceu se refere aos hábitos do passado ligando aos comportamentos do gay dessa geração. A crítica e forte.

“A peça está em cartaz há tanto tempo porque o público se vê retratado e pede o retorno. Os jovens se identificam talvez pela rotatividade das relações e o vazio do personagem e os mais velhos pela estrada percorrida pelo personagem, identificam as situações, se colocam no lugar do Seu Alceu, revivem suas histórias”.

Bicha Oca é uma dessas montagens simples que exageram na oferta criativa e no texto bem marcado, nas expressões bem trabalhadas, nos poucos, mas fundamentais detalhes, visuais, sensitivos e auditivos. É uma reflexão sobre como nos esvaziamos com o tempo e como ser gay ainda é um peso com o passar da idade. Vale a pena ir ao teatro.

Usuários Hornet pagam meia entrada – basta apresentar o app

Espaço Satyros 1 – Praça Roosevelt, 222 – Centro, de 02 a 30/09 às 23h59 (18 anos)

Informações e reservas: teatrodoindividuo@gmail.com