Conheça bioglitter e faça um carnaval sem destruir a natureza

Já falamaos aqui sobre os males desse resíduo plástico na natureza, especialmente nos rios e oceanos. Relembrando: o resíduo microplástico leva séculos para se dissipar e acaba dentro do intestino de animais marinhos e do nosso, por tabela, causando intoxicação e outros danos, tendo sido até proibido em diversos países.

Sabemos que todo ano a festa se repete praticamente igual e a popularização do glitter só aumenta. Mas acreditem, têm surgido iniciativas que propõem uma forma mais consciente de encarar a folia de forma brilhante. Pensando em oferecer alternativas que gerem menos impacto ambiental na brincadeira, a empresa Pura BioGlitter, marca carioca de glitter biodegradável criada por Frances Sansão, está comercializando uma opção que não agride a natureza.

“Eu usava purpurina para caramba, saía de casa besuntada, ainda que não fosse Carnaval. Fiquei chocada ao saber o mal que fazia ao meio ambiente. Não tinha ideia desse impacto, até que pensei: purpurina também é plástico, deve ser nocivo. Alguém precisa fazer alguma coisa”.

Frances começou a pesquisar as alternativas disponíveis e encontrou opções disponíveis apenas fora do país e, por isso, resolveu desenvolver um produto próprio. O interesse pelo mundo do glitter orgânico coincidiu com uma fase de descontentamento com a carreira de arquiteta. O projeto levou quatro meses para ser desenvolvido e ela já largou seu emprego de arquiteta para se dedicar somente à nova empresa.

A partir de testes eram feitos em casa com receitas caseiras com sal, açúcar, materiais para brilho e corantes alimentícios naturais, ela juntou a expertise no preparo de uma gelatina à base de algas em pó, mas a mistura ainda não brilhava, até que o elemento que faltava para fechar a receita apareceu: uma rocha brilhante e atóxica trouxe o efeito que faltava às receitas.

Em 2017, ela comercializou 10 quilos de bioglitter, mas o processo de produção ainda é totalmente artesanal e, por isso, demorado. Após produzir a pasta com algas, Frances mistura o preparado com a pedra e os corantes. Tudo é espalhado em uma superfície para secar. Se o tempo estiver ruim (frio ou chuvoso), esta etapa do processo pode levar até dois dias. Depois, essa “casquinha” é triturada e distribuído em pequenos frascos.

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Formado por pequenos pedaços de plástico misturados a dióxido de titânio e óxido de ferro e outros materiais metálicos, o glitter não pode ser reciclado e, portanto, acaba descartado nos oceanos. Sua decomposição é tão lenta e complicada como a de qualquer outro plástico, e por isso ele acaba se juntando a toneladas de materiais que se acumulam nas águas. Então acabamos de encontrar essa alternativa fabulosa pra você não perder o brilho e arrasar no carnaval.