Peça sobre bareback e HIV discute a vida de um bug chaser

A peça Bug Chaser – Coração Purpurinado levanta questões muito delicadas sobre o risco e prazer de transar sem camisinha. Além do barebacking, a ficção fala do ‘bugchasing’, quando um homem saudável procura, deliberadamente, ter relações sexuais outro homem soropositivo a fim de ser infectado.

O ator Ricardo Correa interpreta Mark, que vive em quarentena vigiado por um programa de inteligência artificial e que busca se infectar propositalmente, marcando uma subcultura pouco discutida na comunidade LGBTQ.

“Falar de bareback, de um homem a procura de um vírus e de toda uma sociedade deteriorada, é trabalhar num universo particular que não deve ser entendido cartesianamente e requer cuidado para não reforçar preconceitos. Aqui, a luta contra a biopolítica impositiva e em estar fora da caixa social em que estamos automaticamente submetidos é levada ao limite”, diz Davi Reis que dirige a peça.

O diretor explica que a quarentena reflete os dias de um sujeito HIV positivo que vive em uma sociedade que o trata como alguém anormal ou com distúrbios psicológicos por praticar bareback (lembramos que praticar sexo sem preservativo sendo soropositivo e infectar propositalmente outro indivíduo é crime e acreditamos que toda prática de sexo tem que haver consentimento entre as duas partes).

“Essa criminalização acaba contribuindo para a manutenção de novos estigmas que há séculos acompanham os indivíduos homossexuais, visto que em alguns lugares do mundo ainda há campos de concentração para gays”, ressalta Ricardo Correa, dramaturgo da peça.

A peça é intensa, com diálogo hermético que obriga o expectador a pensar e rever preconceitos. É preciso distinguir barebacking de bugchasing para entender o dilema da personagem, porque nem sempre os praticantes de bareback buscam a soroconversão. A peça convida o público a um diálogo que ainda é silenciado na comunidade LGBT e por isso explora e problematiza um homem em transito em um mundo doente, que busca encontrar pertencimento e aceitação.

A Companhia Artera de Teatro  tem por meta a encenação de textos com dramaturgias inéditas direcionando a pesquisa para temas relacionados às minorias, permitindo-se o intercâmbio com outras artes, manifestações e tecnologias.

A peça está em cartaz no Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363-Bom Retiro – SP, todas quintas e sextas às 20h e sábados às 18h até o dia 5 de agosto. A entrada é gratuita.