Canções Tristes e Sexo Anal: Os Padres Gala da Antiga Suméria

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Nem todas as religiões evitam a sexualidade. Algumas a abraçam. Para certos padres sumerianos, ser gay não era meramente tolerado — era parte da descrição do emprego.

Caso você tenha aprendido sobre a Mesopotâmia com os documentários sobre alienígenas do History Channel, a Antiga Suméria existiu no Crescente Fértil (uma das muitas regiões que os EUA está atualmente bombardeando) desde aproximadamente 5000 a.C. até aproximadamente 2000 a.C. e é geralmente considerada como a primeira civilização humana. As ‘pessoas de cabeça preta’ da antiga Suméria inventaram a escrita, códigos de lei, um sistema de pesos e medidas padronizados, carruagens com rodas, cerco de guerra, o sistema sexagésimo da matemática utilizado até hoje em manutenção de tempo e geometria, e muitas outras inovações técnicas e culturais.

Figura de um padre da antiga Suméria
Figura de um padre da antiga Suméria

A religião sumeriana, como aquela dos antigos gregos, era politeísta. Uma das divindades mais importantes era Inanna (conhecida para os acadianos como Ishtar), deusa do desejo, fertilidade e guerra. Entre as muitas variedades de padres e realizadores de cultos da Inanna, havia um tipo de clérigo conhecido como o gala, às vezes chamado de gala-tur.

Um número de provérbios se refere às responsabilidades eclesiásticas do gala. Uma dessas responsabilidades era cantar hinos de lamentação. Um antigo ditado sumério diz,

“Um gala de que as encantações não são doces, é altamente estimado entre os galas.”

As canções do gala não eram para agradar o ouvinte, mas para ecoar os sentimentos amargos da deusa. Um pouco como os góticos. E mesmo os padres gala sendo homens*, eles falavam em Eme-sal, uma dialeto feminino associados com as deusas.

Outro provérbio sumério diz:

gala-e bid3-da-ni ḫa-ba-an-da-ze2-er

2 ga-ša-an-an-na ga-ša-an-ĝu10 ba-ra-zi-zi-de3-en-e-še

É traduzido, grosseiramente, para:

O gala esfregou seu ânus:

“Eu não devo remover [excitar?] a propriedade de Inanna.“

O ânus do gala pertencia à deusa padroeira.

Alguns queridos e ingênuos sumerologistas sugeriram que a intenção do provérbio é de gentilmente zombar do senso de auto-importância do gala, mas o cuneiforme usado para escrever a palavra gala elimina qualquer senso de ambiguidade.

Os caracteres utilizadas para escrever a palavra gala consiste em giš3, o sinal para pênis, e dur2, o sinal para rego (ou, possivelmente, bid3, de ki-bid3traseiro).

Pênis + bunda = gala.

Os sumérios criaram muitas coisas grandiosas, mas eles não inventaram a sutileza.

Na religião suméria, o sexo era um rito religioso. Prostituas sagradas eram uma característica típica dos templos de Inanna. Governadores sumérios não podiam subir ao ofício de rei sem participar do ritual do Casamento Sagrado, no qual o futuro líder agia como o deus Dumuzi e consumava sua relação com a deusa Inanna (representada durante o ritual por uma alta sacerdotisa). Na Suméria, prostituição era perfeitamente legal, até respeitável. No mito prometeano da Sumério, a prostituição era uma das artes divinas que a deusa Inanna roubou de abzu (o mar primitivo do submundo) para trazer a ela pessoas, junto com carpintaria, música e heroísmo.

Sabendo de tudo isso, não é irracional sugerir que prostituição sagrada na forma de sexo anal era uma das responsabilidades religiosas do gala. Quero dizer, você literalmente não consegue soletrar gala sem sexo anal.

Padres gala raramente se casavam ou tinham filhos. Só a ideia já era ridicularizada em provérbios sarcásticos. E como a maioria dos músicos, eles geralmente não tinham dinheiro pra nada.

Mas o gala não era exclusivamente um objeto de zombaria. Ele desempenhava um papel heroico em Descendência de Inanna, junto com outro realizador de cultos conhecido como kurĝarra. De acordo com o mito, o deus Enki criou os dois realizadores de cultos a partir de sujeira tirada de baixo de suas unhas divinas (não é uma história de origem digna, temos que admitir) e os enviou para o submundo para resgatar sua filha Inanna.

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Mal-humorado e meditativo: cantor gay Rufus Wainwright (imagem via ScannerFM)

Ao descer, eles ganharam a generosidade da Rainha do Submundo ao cantar lamentações solidárias para ela enquanto ela estava em trabalho de parto. A rainha estava tão satisfeita por suas performances que ela os ofereceu qualquer coisa que eles quisessem, o que eles usaram como uma oportunidade para recuperar o corpo de Inanna.

Foi quem salvou Inanna, a Rainha do Paraíso: não um guerreiro ou um exército, mas um músico gay mal-humorado. “Vá ao submundo e CANTE!” Enki instrui ao seu pelotão de resgate. É basicamente mandar Rufus Wainwright para o inferno para trazer de volta sua filha e funcionou por completo.

Oras, a tradição do padre gala morreu há muito tempo. Mas talvez nós possamos reviver a prática. Talvez pudéssemos convencer oficiais religiosos que essa é a melhor forma de renovar o interesse da Geração Y pela igreja. Ter um gala para rezar a Missa definitivamente colocaria alguns ki-bid3s naqueles bancos de igreja.

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