Luz, câmera e clooose, meu bem: o cinema enquadrando as LGBT.

Representatividade. Essa foi a palavra que deu norte ao encontro sobre a inclusão de personagens LGBT no cenário audiovisual mundial promovido pela Casa1 e Hornet na noite da última sexta.

A discussão foi motivada pelo relatório da GLAAD sobre representação de personagens lésbicas, gays, bissexuais, transgênero e queer que, apesar do crescimento, a maior parte continua sendo de homens gays cisgênero.

A mesa contou com a presença da atriz transgênero Glamour Garcia, vencedora do prêmio de melhor atriz nos festivais CineMube Independente e Mix Brasil, Otavio Chamorro que dirigiu, roteirizou e produziu os curtas premiados como As Fugitivas  e A Caroneira, Camila Valentin do canal Queer na Tela, Luiz Henrique Lula e Ricardo Tomazoli, integrante do Cinediversidade.

“Filmes com homens bissexuais são muito raros. As mulheres são exploradas de forma natural em qualquer contexto, mas o estigma de que o homem bissexual ou está mentindo ou sofre de uma indecisão ainda inibe o desenvolvimento desses personagens”, lembra Camila, sobre as escolhas dos roteiristas.

Cinema cultura LGBTQ Representatividade

Falou-se muito sobre investimento privado e público no audiovisual brasileiro e é senso comum que quando o assunto é beijo gay ou sair do armário, investidores e diretores veem o assunto como moda e não hesitam em investir, mas esquecem do transgênero que leva uma vida comum, da mulher bissexual ou do homem gay na velhice.

“O homem gay tem representatividade, isso vale ponto na hora de captar recurso e a gente vive o melhor momento para o audiovisual LGBT, mas há desafios estéticos a se vencer. Parece que as pessoas não querem ver a mulher trans na tela grande, o que acaba reservando a estes personagens restritos filmes da cena alternativa”, concluiu Otávio Chamorro.

A mesa encerrou com um compromisso dos profissionais de audiovisual de escrever, dirigir e atuar sobre as personagens LGBT de forma mais inclusiva e de tentar expandir ao grande público a possibilidade de interagir, sem o fetiche do diferente, com essas realidades. Porque enquanto o transgênero ou o homem bissexual for visto pela sociedade como uma criatura ilustrativa no filme, o filme nunca oferecerá ao público uma compreensão mais lúcida da vida dessas pessoas, seja na ficção ou no romance.

A Casa1 tem uma extensa programação e convida quem quiser dar voz e fomentar esses e outros temas a aparecer. O Hornet apoia as diversas atividades da Casa 1.