Como é Receber um Exame Anal Forçado para Provar a Sua Homossexualidade

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A Human Rights Watch relatou recentemente que oito países na África e no Oriente Médio usaram de exames anais forçados para condenar homens e mulheres trans suspeitos de homossexualidade. Esses países incluem Camarões, Egito, Quênia, Líbano, Tunísia, Turquemenistão, Uganda e Zâmbia, e os exames são basicamente uma forma de abuso sexual e tortura patrocinados pelo Estado contra pessoas suspeitas de serem gays, bissexuais e transgêneros.

Como é o exame anal forçado?

Esses exames anais forçados não são como exames de próstata de rotina em que os pacientes voluntariamente abaixam as calças para deixar um médico gentil enfiar suavemente um dedo. Um homem de 21 anos na Tunísia foi empurrado para que ficasse de joelhos e inclinado (com os braços presos) enquanto outro homem abriu suas calças para que um médico enfiasse um dedo e um tubo em seu ânus. Os médicos que realizam o exame não precisam se apresentar e podem permitir quem eles quiseram no recinto para assistir ou observar. Em alguns casos, os médicos tiram fotos enquanto as nádegas da vítima são abertas à força.

O que se está procurando nos exames?

Aparentemente, os médicos estão procurando por “evidências” de homossexualidade como um ânus frouxo ou com formato de funil; lesões, vermelhidão, inflamação do tecido anal ou vestígios de esperma, mas sem esperma, um ânus frouxo não prova nada. O Independent Forensic Experts Group (IFEG), um grupo de 35 médicos forenses internacionais chamou os exames de inúteis, afirmando que pelo menos 15 outras condições médicas sem relação com sexo anal podem causar condições retais que supostamente “provam” a homossexualidade de alguém. O IFEG também afirma que os exames causam danos psicológicos que duram por anos após a sua realização.

Os exames realmente provam que uma pessoa fez sexo anal?

A verdade é que esses exames não são realmente para “confirmar” a suspeita da homossexualidade de alguém tanto quanto é para humilhar e intimidar qualquer um suspeito de ter simpatia pela comunidade LGBT. Se recusar a fazer o exame anal pode ser visto como obstrução de uma investigação e usado como prova da culpa da pessoa. forced anal exams, gay, homosexuality, sodomy, Africa, Cameroon, Egypt, Kenya, Lebanon, Tunisia, Turkmenistan, Uganda, Zambia

Como é a vida gay em países onde acontecem esses exames?

Camarões pune a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo com cinco anos de prisão e multas de $33 a $330. Em 2013 , dois homens foram presos simplesmente por terem as roupas e a fala “femininas” e por pedirem drinks com licor ‘à base de creme’.

Apesar da homossexualidade não ser tecnicamente ilegal no Egito, em dezembro de 2014, 26 homens foram presos em uma batida policial em uma sauna no Cairo e acusados de “libertinagem”, uma lei “de moral pública” vaga muitas vezes usadas para perseguir pessoas LGBT. Todos os homens foram posteriormente absolvidos.

No Quênia, a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo é passível de punição de até 14 anos de prisão e a violência de grupos anti-LGBT é comum com os agressores confiantes de que não vão sofrer nenhuma punição por matar ou ferir pessoas que todos sabem que são LGBT.

Apesar do Líbano ter descriminalizado o sexo entre pessoas do mesmo sexo em 2014, o artigo 534 do Código Penal do país ainda proíbe qualquer sexo que “contradiga as leis da natureza”. A lei (e batidas policiais em locais onde os gays se encontram) é usada para perseguir pessoas gays, bissexuais e trans ou para permitir que eles sejam levados sob custódia da polícia para sofrerem outras formas de abuso e tortura.

A Tunisia pune atividades sexuais entre pessoas do mesmo sexo com três anos de prisão. No Turquemenistão, o sexo gay pode levar a dois anos de prisão e até mesmo a uma internação compulsória em uma clínica psiquiátrica para “curar” sua homossexualidade.

Uganda pune o sexo entre pessoas do mesmo sexo com prisão perpétua. Na Zâmbia a punição é de 14 anos de prisão; as pessoas LGBT de lá relatam haver discriminação generalizada, perseguição e medo de que qualquer um os denunciem para as autoridades.

(composite em destaque via Alex Cherry e Aaron Edwards)