Como Responder Às 12 Reações Mais Comuns Ao #BlackLivesMatter

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Se você estiver lendo isso, então você se envolveu em uma discussão sobre raça. Durante essa discussão, você pode ter falado uma das seguintes frases:

  • Todas as Vidas Importam”
  • “E quanto ao racismo reverso?”
  • “Não existe privilégio branco, porque eu sou branco e eu sofri com dificuldades.”
  • “Mais brancos são mortos pela polícia do que negros”
  • “E quanto aos crimes cometidos por negros contra negros?”
  • “Ele não era nenhum anjo.”
  • “Ela devia ter obedecido o policial. Ela foi grosseira.”
  • “Nós não sabemos a história completa”
  • “A polícia tem um trabalho difícil. Eles são humanos. Acidentes acontecem.”
  • “Eu sinto como se não eu pudesse ter um opinião no que diz respeito à raça porque eu sou branco.”
  • “Nem todos os brancos são racistas ou maus.”
  • “Então o que você quer que eu faça?”

Como esses argumentos são usados frequentemente e a pessoa com que você está discutindo está cansada de ouvir/responder a eles, aqui estão algumas respostas úteis. Agora vamos parar de usar esses argumentos.

Todas As Vidas Importam”

all houses matter

O propósito do movimento #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam) não é desvalorizar outras vidas. No Tonight Show, a atriz Uzo Aduba (famosa por interpretar a “Crazy Eyes” em Orange is the New Black), explicou:

Eu acho que o que acontece é que as pessoas pensam que quando se fala que as Vidas Negras Importam elas pensam nisso como se fosse excludente de algum modo, quando realmente não é para ser nesse sentido. Não é para excluir pessoas. No Dia da Terra não incluímos Júpiter, temos apenas a Terra, celebramos apenas a Terra nesse dia.

A ideia por trás do #BlackLivesMatter é que a sociedade atualmente desvaloriza a vida de pessoas negras.

Até 150 atrás, os EUA avaliou oficialmente cada vida negra em três quintos de um vida branca. O racismo atual é mais sutil do que era, mas ainda existe. O movimento Black Lives Matter alega que o país ainda trata a vida de um negro como se tivesse menos valor do que a de uma pessoa branca.

Essa desvalorização não está prevista na lei tão descaradamente como era na Cláusula dos Três Quintos ou nas Leis de Jim Crow, mas é difundida em pequenas e grandes maneiras. Está no sistema escolar desigual, racialmente segregado, no qual estudantes negros são penalizados mais duramente do que estudantes brancos por faltas disciplinares semelhantes. Está no sistema jurídico, que mata e prende homens negros em um proporção muito maior do que homens brancos por cometerem crimes semelhantes, além de condenar a penas mais leves os criminosos que cometem crimes contra negros do que criminosos que cometem crimes contra brancos. Está no local de trabalho. Está no sistema de saúde.

O motivo pelo qual os ativistas dos Direitos Civis gritam, “Vidas negras importam,” é porque a sociedade Americana tende a insistir o contrário.

Todas as vidas importam, mas nos EUA, algumas vidas valem mais do que outras.

“E o racismo reverso?”

Você pode ter citado o “racismo reverso” (isto é, preconceito contra pessoas brancas), só para ouvir em resposta que não existe. Isso pode não fazer sentido para você — você com certeza já foi xingado por ser branco, então você sabe que o racismo reverso existe.

Bem, não exatamente. O que está acontecendo aqui é que a pessoa que está falando com você está usando uma definição diferente de racismo — a definição usada por sociologistas. Na sociologia, racismo é mais do que apenas preconceito baseado na raça: é um sistema de comportamentos e crenças que cria uma hierarquia social que coloca algumas raças acima de outras em termos de poder e influência. Em outras palavras, o racismo é mais do que preconceito: é o preconceito com o poder por trás dele.

Assim, de acordo com a definição sociológica de racismo, pode haver preconceito contra pessoas brancas mas não existe “racismo reverso” ou racismo contra pessoas brancas.

Com certeza existem pessoas que odeiam pessoas brancas, mas os EUA não têm uma estrutura de poder que coloca os brancos como inferiores a pessoas de outras raças. Ser odiado pela sua raça dói independente de que raça você é, mas ser branco provavelmente não vai prejudicar a sua habilidade de conseguir um emprego ou assistência médica adequada, enquanto ser negro pode muito bem prejudicar. Os estereótipos dirigidos a pessoas brancas (não sabem dançar, gostam de comidas suaves) são benignos, dificilmente vão levar a consequências graves. Os estereótipos usados contra pessoas que não são brancas (preguiçosos, desonestos, ignorantes, ladrões) podem e causam prejuízo de fato.

Por isso que não existe nenhum grande movimento de direitos civis destinado a combater o preconceito contra pessoas brancas: porque, no geral, pessoas brancas não precisam disso. Insistir em um movimento para chamar atenção ao preconceito contra pessoas brancas é como insistir em montar uma caridade para pessoas ricas, ou exigir quimioterapia para pessoas que não tem câncer.

“Não existe isso de privilégio branco, porque eu sou branco e sofri com dificuldades.”

Então você é branco, e teve uma vida difícil. Talvez você esteve desempregado, pobre ou até mesmo sem-teto. Você conhece muitos brancos que sofreram com a pobreza ou outros tipos de adversidade. Então como pode essa coisa de “privilégio branco” existir?

Para começar, o privilégio branco não significa que a sua vida será maravilhosa o tempo todo. Ninguém é tão sortudo assim. O que isso realmente significa é que você não vai ter que sofrer certas desvantagens por causa da sua raça.

Compare a branquitude com outra forma de privilégio: riqueza. Pessoas ricas tem certas vantagens, mas as vidas delas não são completamente livres de sofrimento. Elas também sofrem com o coração partido, eles também tem que resistir à violência; eles também sofrem de doenças mentais; eles também ficam doentes e morrem como todo mundo. Elizabeth I, por exemplo, perdeu sua mãe para o machado de um carrasco, foi presa pela sua própria irmã e dizem que ela nunca transou, apesar de ser literalmente a rainha.

Ainda assim a riqueza oferece muitos privilégios: protege as pessoas de problemas como a fome ou a falta de moradia, e dá a uma pessoa acesso aos melhores recursos para qualquer problema que ela possa ter. Uma mulher rica também pode ter câncer de mama, mas a sua riqueza vai permitir que ela tenha uma assistência médica superior; um homem rico também pode se machucar, mas a sua riqueza vai permitir que ele faça uma boa cirurgia cosmética para minimizar as cicatrizes e um terapeuta para ajudá-lo a lidar com o trauma.

O privilégio branco funciona de um jeito semelhante: diminui o risco de alguns problemas assim como dá acesso a ajuda para outros problemas. Por exemplo, é mais provável que uma pessoa branca que sofra com uma doença mental receba um diagnóstico preciso e um tratamento adequado do que uma pessoa negra que sofra com uma doença mental, um branco doente provavelmente vai receber uma assistência médica melhor do que uma pessoa que não é branca, e um branco que esteja se candidatando a um emprego tem maior probabilidade de ser chamado do que um negro.

“Mais brancos são mortos pela polícia do que negros”

No geral, a polícia nos Estados Unidos mata mais pessoas brancas do que negras. Isso é verdade. De acordo com uma notícia do The Guardian, de 710 pessoas mortas pela polícia por enquanto nesse ano, 341 eram brancas, enquanto 184 eram negras. A polícia matou quase duas vezes mais brancos do que negros.

Seria de se esperar que a maioria das pessoas mortas pela polícia seriam brancas simplesmente porque a maioria dos americanos (e a maioria dos criminosos) são brancos. No entanto, os dados demográficos de pessoas mortas pela polícia não se alinham muito com os dados demográficos da população em geral. Setenta e sete porcento dos americanos são brancos, mas somente 48% das pessoas mortas pela polícia até agora nesse ano são brancas. Treze porcento dos americanos são negros, mas 25% das pessoas mortas pela polícia até agora nesse ano são negras. Em outras palavras, a porcentagem de negros mortos pela polícia americana é desproporcionalmente alta.

Isso não ocorre porque há uma diferença nos índices de criminalidade entre raças, tampouco. De acordo com o FBI, 69,3% das pessoas presas pela polícia são brancas, contudo a porcentagem de brancos mortos pela polícia é significantemente mais baixa que esse número.

Apesar da polícia matar mais pessoas brancas no geral, é significantemente mais provável que um indivíduo negro seja morto pela polícia do que um indivíduo branco — mais do que o dobro de probabilidade, de acordo com as estatísticas apresentadas pelo Guardian.

A proporção é ainda pior para adolescentes negros. Entre 2010 e 2012, homens negros com idades entre 15 e 19 anos tinham 21 vezes mais chances de serem mortos a tiros pela polícia do que homens brancos da mesma idade.

“E os crimes de negros contras negros?”

O argumento é assim: pessoas negras sofrem discriminação racial, mas o racismo não é o único responsável pelos problemas na comunidade negra. Pessoas negras cometem atos de violência contra eles mesmos toda hora. Os líderes da comunidade negra deveriam resolver esse problema antes de criticar a polícia.

No entanto, é verdade que a maioria dos negros vítimas de homicídio é morta por pessoas negras. Também é verdade que a maioria dos brancos vítimas de homicídio são mortos por outras pessoas brancas. Em 2013, 83% dos brancos vítimas de homicídio foram mortos por agressores brancos. Crimes violentos no geral ocorrem entre membros da mesma raça.

Apesar disso, os líderes da comunidade negra estão bem cientes do problema dos crimes praticados por negros contra negros e estão tomando medidas para resolve-lo. Há poucos dias, 300 homens marcharam de Baltimore a Washington, D.C. para a conscientização sobre a violência na comunidade negra. O organizador da marcha, Munir Bahar, disse a WUSA 9,

“Nós precisamos que os homens levantem do sofá de verdade, para se envolverem nas vidas desses jovens na comunidade e tomar isso como algo pessoal para valer,” disse Bahar. “Tome posse da violência. Assuma a responsabilidade pela sua própria comunidade e entre nas vidas desses jovens, seja a intervenção que é necessária para orientá-los de fato a não tomarem essas decisões que mudam a vida.”

Em 2014, o Presidente Obama lançou a iniciativa My Brother’s Keeper, que convocou os líderes da comunidade a focarem em ajudar os jovens que não são brancos a ficarem longe de problemas e se desenvolverem em membros produtivos da sociedade. Em junho passado, os residentes do East Harlem fizeram uma manifestação contra armas de fogo, enquanto o cineasta negro Spike Lee discursou em uma manifestação semelhante contra armas de fogo em Chicago. Al Sharpton e Jesse Jackson também se pronunciaram sobre a questão.

Os índices de homicídio entre pessoas negras diminuiu ao longo das últimas décadas desde o seu ápice nos início dos anos 90.

Resumindo, a comunidade negra está completamente ciente de crimes praticados por negros contra negros. Eles estão resolvendo isso. Mas os crimes de negros contra negros não deveriam ser uma desculpa para a brutalidade policial assim como crimes de brancos contra brancos não são. A maioria dos assassinos em série e dos assassinos em massa são homens brancos, ainda assim a polícia não tem uma suspeita em especial de homens brancos.

“Ele não era nenhum anjo”

A polícia atirou e matou alguém que estava desarmado. Há uma grande comoção pública. Você descobre que a “vítima” não era tão inocente assim: ele furtou uma loja uma vez, ou ela fumava maconha, ou ele devia pensão aos filhos, ou ele foi suspenso da escola no passado, ou ele tinha sido condenado por agressão anteriormente. Todo mundo está falando da pessoa morta como se ele fosse puro como a neve recém-caída, mas na verdade ele não era nenhum anjo.

Isso é verdade. Também é verdade que literalmente ninguém é um anjo. Eu não sou. Você, leitor, não é: você quase que certamente fez algo no passado que se arrepende, e ainda assim você está vivo para ler esse artigo.

Minhas amigas adolescentes furtavam lojas, mas elas eram garotas brancas então o pior que aconteceu com elas foi a segurança do shopping ter ligado para os pais delas e as baniram do Old Navy. Elas não levaram tiro, como o Michael Brown levou.

Eu cresci próximo a Woodstock, uma cidadezinha famosa povoada em grande parte por pessoas brancas e ricas e com boa posição social. Quando a polícia pega um residente de Woodstock fumando maconha em público, eles não prendem o infrator; eles apenas tomam o estoque do maconheiro e vão fumar atrás do Sunflower Natural Foods Market. Se a polícia fosse tão rigorosa com os usuários de drogas que são brancos quanto é com os usuários negros, os campi das universidades da nação estariam vazios.

As infrações listadas de quem “não era nenhum anjo” não são crimes capitais. Nenhum juiz vai sentenciar a pena de morte um criminoso condenado por porte de maconha, ou por roubar um maço de cigarrilhas, ou por ter levado uma advertência na escola. Isso é os Estados Unidos, onde uma punição legal deve ser compatível com um crime; não cortamos as mãos das pessoas por roubar, ou apedrejamos pessoas por atentado ao pudor. A morte não é uma punição razoável por furtar uma loja. Apontar uma arma para um motorista por excesso de velocidade é uma resposta desproporcional para um delito tão pequeno.

“Ele parecia um bandido”

O homem que foi baleado pela polícia podia estar desarmado, mas ele parecia ser perigoso. Ele estava vestido que nem um bandido: capuz, calças largas, boné de beisebol ao contrário. Ele fez sinais de gangue em fotos no Facebook. Ele franziu o rosto. Ele ostentava por aí com um andar intimidante. Ele se vestia como um criminoso e agia como um criminoso; como podemos culpar a polícia por tratá-lo como um criminoso?

Uma pergunta rápida: a polícia deveria atirar no Fonz?

fonz from wikimedia cropped
O Fonz

A polícia deveria parar e revistar o James Dean?

James Dean in Rebel Without a Cause
James Dean em Juventude Transviada (Rebel Without a Cause)

E quanto ao Elvis? Aqui está ele, vestido como um prisioneiro condenado enquanto demonstrava uma atitude desdenhosa ao sistema penal americano.

Parece uma pergunta ridícula, mas pense nisso: aquela estética descolada dos Greasers dos anos 50 foi baseada na moda e maneirismo de criminosos, delinquentes juvenis e gangues de motoqueiros. Os EUA celebram os Greasers, se esquecendo que jovens com topetes pretos ocasionalmente assaltavam ou roubavam carros ou participavam de rachas que colocavam a vida de pedestres em perigo. Calça jeans, na época, era grosseiramente inadequado para o uso diário fora do trabalho operário; camisetas também eram informais; aquelas jaquetas grandes de couro eram ótimas para esconder estiletes e socos-ingleses. A juventude americana não usava esse estilo só porque era bonito: eles usavam porque representava uma rebelião contra a ordem social, porque fazia eles parecerem durões.

Adolescentes, especialmente garotos, gostam de parecer durões. Eles gostam de incomodar figuras de autoridade; é tudo parte da transição instável da obediência da infância para a independência da vida adulta. Jovens usam calça larga e capuz hoje em dia pela mesma razão que eles usavam jaquetas de couro nos anos 50; eles ostentam e andam desleixados hoje pelo mesmo motivo que James Dean era sarcástico em Juventude Transviada (Rebel Without a Cause); eles usam gírias de criminosos (ou da representação fictícia deles) assim como os adolescentes americanos faziam nos anos 50.

Os greasers não são os únicos fora da lei que a nossa sociedade idolatra, longe disso. Pense em quantos filmes de Velho Oeste transformaram Billy the Kid em herói. Pense em quantos filmes e romances apresentam retratos lisonjeiros de piratas, que eram ladrões assassinos na vida real. Pense em quantos caras universitários tem o poster de Scarface em suas paredes. Pense nos Minnesota Vikings, um time de esporte que celebra o grupo de criminosos que estuprou e saqueou e queimou aldeias inglesas sem motivo.

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Torcedores do Minnesota Vikings

Se a polícia tem o direito de atirar em qualquer jovem negro com um capuz, então ela também tem o direito de prender todo os jovens italianos usando jaqueta de couro, o direito de arrastar de uma ponta a outra por baixo do navio todas as crianças usando fantasia de pirata, e o direito de matar todos os góticos com uma estaca de madeira atravessando o coração.

He shouldn't have dressed like that if he didn't want to be made to dance the hempen jig.
Ele está vestido como um criminoso. Cuidado para ele não ser enforcado até a morte.

“Ela devia ter obedecido o policial. Ela foi grosseira.”

Mês passado, uma mulher negra chamada Sandra Bland foi encontrada morta em sua cela depois de ter sido presa durante uma abordagem no trânsito no Texas. Bland aparentemente não cometeu qualquer infração de trânsito que poderia justificar uma prisão; o policial a parou por ela não ter sinalizado uma mudança de faixa. O vídeo da parada inicial sugere que o policial a prendeu por tê-lo irritado por ter se recusado a apagar seu cigarro.

Fumar um cigarro de tabaco no entorno de seu carro não é um crime. Se recusar a apagar esse cigarro pode ser contra a etiqueta, mas não é um crime. Responder a um policial não é uma boa ideia, mas não é um crime. A conduta de Bland não justifica a sua prisão; na pior das piores hipóteses, justificaria nada mais que uma multa de trânsito (e até isso é questionável).

Um policial pode dar certas ordens como “Encoste o veículo,” ou “Me mostra a sua carteira de motorista”, mas há limites a essa autoridade. Deve haver limites a essa autoridade, ou então ocorreria abuso. Um policial não pode prender legalmente alguém por ser grosseiro, grosseria não é um crime literal.

“Não sabemos a história toda”

Um policial atirou em um homem desarmado, mas nós não temos certeza de todos os detalhes do incidente. Talvez não exista uma filmagem. Talvez não tenha nenhuma testemunha, ou tenha testemunhas mas as histórias delas não batem. Somente duas pessoas sabem com certeza o que aconteceu, e uma delas está morta. Então, até que a gente realmente saiba o que aconteceu, a gente não deveria se chatear. Não deveríamos incentivar protestos públicos. Nós deveríamos esperar quietos para a verdade aparecer.

Mas como a verdade vai aparecer? Através de uma investigação. E quem vai realizar essa investigação? A polícia: os colegas do atirador. E policiais não gostam de investigar uns aos outros; eles rotineiramente dão cobertura uns aos outros, fazendo vista grossa para delitos como suborno, uso indevido de força durante prisões, ou até mesmo violência doméstica. Se um policial quebrar a “parede azul do silêncio” ao denunciar a má conduta de outro policial, ele é capaz de acabar com uma bala na cabeça. “X-9 morre cedo”.

Então o que levaria o governo local a fazer as forças policiais investigarem um tiro da polícia? Um clamor público enorme. Indignação. Protestos. Pressão política. Esperar pacientemente pela polícia fazer a coisa certa provavelmente não vai dar em nada.

Mas as vezes nós sabemos o que aconteceu. As vezes, uma testemunha fez um vídeo do ocorrido. Como resposta, a polícia reage xingandoagredindo ou prendendo a testemunha, talvez para tentar garantir que ninguém saiba da história completa na próxima vez que a polícia atirar em um homem desarmado.

“A polícia tem um trabalho difícil. Eles são humanos. Acidentes acontecem.”

Ninguém está discutindo que ser policial é difícil e perigoso. Policiais se colocam em perigo todo dia e lidam com o pior da humanidade para manter a sociedade estável. Por isso que temos a mais elevada estima aos policiais mais do que teríamos a um cidadão comum. É por isso que as pessoas que se alistam para se tornar policiais precisam saber se portar em situações de estresse. É por isso que treinamos policiais antes de darmos a eles o distintivo e o uniforme e a autoridade legal de prender pessoas.

Se a reação imediata de um policial ao menor movimento é entrar em pânico, sacar a arma e atirar em todas as direções (como nas imagens de horror abaixo), então ele nunca deveria ter tido a permissão de se tornar um policial.

Um homem com um pavio curto não deveria se tornar um policial, assim como um homem com mãos trêmulas não deveria se tornar cirurgião, ou um homem com uma visão ruim e vertigem não deveria poder se alistar na Força Aérea.

Ser policial é um trabalho difícil. Qualquer um que não consegue dar conta não deveria ter um distintivo, e se tiver, o restante de nós não deveria arranjar desculpas para a incompetência dele.

“Eu sinto como se eu não pudesse ter uma opinião sobre raça porque eu sou branco”

Ninguém está te impedindo de ter uma opinião sobre raça. Você pode ter suas opiniões e você tem a permissão legal de expressá-las. No entanto, outras pessoas, incluindo pessoas que discordam de você, também tem a liberdade de discordar das suas opiniões. Os ativistas do Black Lives Matter não vão abrir o seu crânio e arrancar as suas opiniões, mas eles podem discutir contigo, como é um direito constitucional deles.

Ser branco não te desqualifica automaticamente de ter uma opinião válida sobre raça. No entanto, significa que a sua opinião não é tão bem informada quanto a de uma pessoa que não é branca, simplesmente por causa da experiência de vida. Uma pessoa branca não sabe realmente qual a sensação de ser uma pessoa que não é branca. Você pode tentar imaginar ou ter empatia, mas você não vivenciou isso de verdade.

Uma mãe provavelmente sabe mais sobre como criar um filho do que alguém sem filhos, um soldado provavelmente sabe mais sobre a guerra do que um civil, e uma pessoa negra provavelmente sabe mais sobre a vivência negra do que uma pessoa branca. Uma pessoa branca discutindo com uma pessoa negra sobre raça é um pouquinho parecido com uma pessoa sem filhos discutindo com uma mãe de trigêmeos sobre criação de filhos: inexperiente e suscetível de receber uma boa dose de olhos virados.

“Nem todas as pessoas brancas são racistas e más”

Nem todas as pessoas brancas são racistas e más, mas todas as pessoas brancas são parte de uma sociedade que coloca as pessoas brancas acima das pessoas que não são brancas. Todas as pessoas brancas se beneficiam da hierarquia social injusta, de pequenas ou grandes formas (veja a seção sobre privilégio branco acima), e todas as pessoas que não são brancas sofrem com isso pelo menos um pouco.

Muitas e muitas pessoas brancas toleram passivamente o sistema, permitindo que ele continue. Pode não ser malicioso, mas é imoral. É aquele ditado, “Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada.”

“E o que você quer que eu faça?”

O diretor nacional do Black Youth Project 100, Charlene Carruthers, citado no Washington Post, sugere que as pessoas brancas se esforcem para fazer com que outras pessoas brancas sejam menos racistas;

Liberais brancos e progressistas tem uma responsabilidade de organizar as suas comunidades pela justiça social usando uma estrutura explicitamente antirracismo contra negros. Não há necessidade de se esconder por trás de organizações de pessoas negras ou de pessoas que não são brancas. Se comprometa a organizar as pessoas brancas pobres e da classe operária. Nós somos capazes de organizar as nossas comunidades. Nossa crianças precisam que os brancos trabalhem todos os dias para garantir que as mulheres negras não tenham que se preocupar em morrer por não sinalizar devidamente, por andar sendo transgênera ou tentar proteger seus filhos.

The Root aconselha os aliados brancos a serem proativos em suas próprias comunidades, se pronunciando contra a discriminação racial e violência racial e tomar medidas não-violentas.

Chame a atenção de outras pessoas brancas por comportamento racista. Você não tem que iniciar uma cruzada moral ou se acorrentar a um prédio público, mas um simples, “Cara, isso não é legal”, ou até mesmo um olhar de nojo ajuda muito. Pessoas brancas com atitudes racistas são muito mais propensas a ouvir outras pessoas brancas do que a pessoas que não são brancas.

Se você for branco, a sociedade te deu um pouquinho a mais de poder. Use-o para o bem.

(História publicada originalmente em 20 de agosto de 2015)