Aumento de casos de hepatite A entre homens gays e bissexuais em São Paulo

Fonte: Agência de Notícias da Aids

(Acesse aqui para ler o texto educativo completo sobre hepatite A)

Dados de junho da OMS (Organização Mundial da Saúde) alertam para o aumento mundial dos casos de hepatite A entre homens gays e bissexuais. O mesmo ocorre no Brasil: há um aumento expressivo na cidade de São Paulo. O salto foi de 63 casos em 2016 para 135 casos somente nos primeiros seis meses de 2017. O perfil é de homens jovens: segundo dados do Boletim Epidemiológico da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde), 81% são do sexo masculino e 64% têm entre 18 e 39 anos. Até então, já havia ocorrido 2 óbitos por hepatite fulminante.

Doença infecciosa aguda, causada pelo vírus VHA, que é eliminado nas fezes, a hepatite A é transmitida por via fecal-oral, de uma pessoa infectada para outra saudável, através de alimentos ou da água contaminados. A transmissão sexual pode ocorrer com a prática sexual oral-anal (pelo contato direto ou indireto da mucosa da boca com o ânus ou fezes de uma pessoa infectada).

Um dos casos registrados na cidade de São Paulo é o do radialista Matheus Rossi, de 23 anos. Em junho, ele descobriu que estava com hepatite A. “Estava febril, sem apetite e com dor no fundo dos olhos, então decidi procurar um médico, ele solicitou o exame de sorologia e logo recebi o resultado. Os sintomas da doença estavam avançados, meu fígado bastante prejudicado, até fiquei internado por cinco dias. Agora estou bem, mas desconfio que me infectei depois de uma relação sexual desprotegida”, contou.

No Brasil, a vacina contra a hepatite A está disponível na rede pública para crianças até 5 anos, ou para pessoas vivendo com HIV/aids, portadores crônicos de hepatite B e C e outras hepatopatias crônicas.

Segundo o infectologista José Valdez Madruga, do Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids, “o ideal seria disponibilizar a vacina para todos os homens gays e bissexuais do país”, A boa notícia, segundo Valdez, é de que “no CRT, já conseguimos estender para todos os participantes do estudo PrEP Brasi”, que são homens gays ou bissexuais HIV-negativos em uso de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV.

A OMS recomenda a vacinação contra a hepatite A para grupos de alto risco, e inclui homens gays e bissexuais.

Hoje, de acordo com a gerente do Centro de Controle de Doenças, Rosa Maria Dias Nakazaki, “não é possível afirmar que a cidade de São Paulo vive um surto da doença entre homens que fazem sexo com homens, mas estamos investigando”..

A dificuldade de se afirmar que o surto atinge o grupo de homens gays e bissexuais está no fato de que “os formulários padrão de notificação da doença não incluem informação sobre a orientação sexual do paciente”, afirma o médico e ativista Carué Contreiras.

Na cidade de São Paulo, o próprio paciente pode acessar o site da Covisa e preencher um questionário eletrônico de notificação da hepatite A, que contém o campo orientação sexual.