Número de assassinatos por homofobia em 2017 é maior que em ano anterior

No ano que passou, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram mortos em crimes motivados por homofobia, um aumento de pelo menos 30% nos casos de crime contra LGBTs no ano de 2016 que findou com 343 casos registrados.

Esse número representa uma vítima a cada 19 horas. O dado surge em levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia, que registrou o maior número de casos de morte relacionados à homofobia desde que o monitoramento anual começou a ser elaborado pela entidade, há 38 anos e já afirma que em 2017 o número de crimes é três vezes maior do que o observado há 10 anos, quando foram identificados 142 casos.

Luiz Mott, presidente da organização de advocacia do Grupo Gay de Bahia afirma que uma combinação enre bancadas políticas conservadores e estações de televisão que comparam atividades homossexuais com práticas satânicas fez com que o ambiente social se tornasse mais inseguro incluindo a casa da família.

Segundo o site PinkNews, foram 387 assassinatos e 58 suicídios, que estabeleceram um novo recorde de mortes. “É um discurso que destrói a solidariedade e equipara as pessoas LGBT aos animais”, disse Mott à PinkNews.

 

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Nesta quinta-feira (18) a organização não governamental Human Rights divulgou um relatório a respeito da violação dos direitos humanos no Brasil destacando a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 725 denúncias de violência, discriminação e outros abusos contra a população LGBT somente no primeiro semestre de 2017.

Luiz Mott diz que o fenômeno pode ser ainda maior, uma vez que muitos casos não chegam a ser noticiados.

“Tais números alarmantes são apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, tais mortes são sempre subnotificadas já que o banco de dados do GGB se baseia em notícias publicadas na mídia, internet e informações pessoais”, comenta.

Entre as 445 mortes registradas em 2017, 194 eram homens gays, 191 eram pessoas trans, 43 eram lésbicas e cinco eram bissexuais. Registra-se que 136 episódios envolveram o uso de armas de fogo, 111 foram com armas brancas, 58 foram suicídios, 32 ocorreram após espancamento e 22 foram mortos por asfixia e ainda há registro de violências como o apedrejamento, degolamento e desfiguração do rosto.

O Estado com maior registro de crimes de ódio contra a população LGBT foi São Paulo (59), seguido de Minas Gerais (43), Bahia (35), Ceará (30), Rio de Janeiro (29), Pernambuco (27) e Paraná e Alagoas (23). Entre as regiões, a maior média foi identificada no Norte (3,23 por milhão de habitantes), seguido por Centro-Oeste (2,71) e Nordeste (2,58).