A homofobia me fez tentar suicídio

Não é fácil lidar com a notícia da cura gay, hoje, depois de tudo o que passei na vida. Me chamo Gabriel Lucas, mas desde criança me chamam de “arapuca”. O motivo de eu abrir, pela primeira vez essa parte da minha vida foi esse infeliz episódio judicial que está a tirar o sono de muitas pessoas como eu.

Cresci no meio de pessoas preconceituosas e que sempre me criticavam pelo meu jeitinho “gay” de ser. Levei cerca de 18 anos para assumir minha sexualidade, mesmo sabendo desde os 10 anos que eu gostava de rapazes e que isso não ia mudar.

Eu tive muito problema nesses últimos 8 ou 9 anos em que eu estava ainda no armário. Mas o problema de não ter me assumido antes foi devido ao preconceito e não aceitação. Eu tinha medo do que eu poderia sofrer depois de me assumir, visto que eu já sofria bullying e preconceito mesmo antes de me assumir.

Tentei suicídio várias vezes. Acreditava que não conseguiria viver nesse mundo sendo dessa forma. Sim, algumas vezes tentei me matar.

Eu sofri bullying minha vida inteira por ter um jeitinho gay, por ser diferente dos outros caras, por gostar muito de estudar, por ser o quietinho da sala, por ter mais amigas do que amigos, por ser de família classe baixa, por não ter conhecido meu pai, por “viajar demais” – me chamavam de cigano – por ter problema de saúde – era o problemático e me Zé Tremedeira – por não poder praticar esportes, por ser o que prestava atenção nas aulas.

Em meio a tantos problemas, eu decidi me assumir depois que eu saísse da casa da minha mãe, visto que sofria com problemas dentro e fora de casa devido a meu padrasto e a família dele, como também pelas pessoas da cidade onde eu morava. Em 2016 voltei para a cidade onde nasci e coloquei para fora tudo o que eu sentia. Me assumi através de um vídeo em meu canal do Youtube e comecei a abordar ainda mais sobre o universo LGBT em meu blog e minhas redes sociais.

Assim como o bullying e o racismo, a cura gay é apenas uma desculpa que homofóbicos encontraram para tentar esconder o seu preconceito, assim como os religiosos fanáticos e preconceituosos, usam Deus e bíblia como desculpas sem sentido para não se dizerem homofóbicos. Não existe nenhuma cura ou reversão para algo que nunca fomos.

Ninguém vira gay, as pessoas já nascem assim. O que acontece é que demoramos um tempinho para nos descobrirmos, nos aceitarmos e nos encontrarmos.

Assim como qualquer outra pessoa, fomos todos gerados da mesma forma, viemos de pessoas, somos humanos, temos sentimentos, sentimos dor, e tudo mais. Somos todos iguais materialmente falando. A única coisa que muda é a forma de demonstrar amor uns pelos outros.

Só porque nos relacionamos com pessoas do mesmo sexo, isso não quer dizer que eu seja diferente de você, que o amor que eu sinto pelas pessoas seja um sentimento diferente do amor que você sente. Tentar curar algo em mim só me faz adoecer ainda mais. Eu só quero viver o amor. E o amor é só o amor. Para todos!

 

Gabriel Lucas do Nascimento é digital influecer e falou com o Hornet.
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