De Jornalista Famoso A Viciado em Metanfetamina: Uma Biografia Extremamente Honesta de Kevin Sessums

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A vida parecia glamorosa pra caramba para Kevin Sessums. Ele já trabalhou como editor executivo da revista Interview de Andy Warhol e tinha um salário de seis dígitos na década de 1990 trabalhando como um escritor sobre os famosos para a Vanity Fair. Ele regularmente se esbarrava com os famosos e a elite artística de Nova York e tinha um apartamento de 185 metros quadrados em Manhattan.

Mas você não poderia chamá-lo apenas de jornalista, ele era um íntimo de Hollywood; ele fumou um baseado com Heath Ledger em Praga, ele considerou Jessica Lange, Madonna, e Courtney Love como suas ‘três musas loiras’, e uma vez mexeu em uma caixa com os pelos pubianos de Kurt Cobain enquanto vagava pela casa de Courtney Love. Na verdade, Sessums viu os pelos pubianos de ambos Kurt e Courtney naquela noite, uma vez que Love tomou um banho, nua, durante a entrevista com ele — só mais um dia de trabalho para Sessums.

Ele vivia uma vida extravagante: voando do litoral leste ao oeste para cumprimentar e festejar com seus entrevistados, como ele fez com Quentin Tarantino, John Travolta, e Sharon Stone durante o evento de Pulp Fiction em que ele participou em 1995. Naquele mesmo ano ele passou seu 49º aniversário como o par de Jessica Lange numa festa do Oscar — na volta para casa, ele brincou segurando o prêmio dela de Melhor Atriz entre suas pernas como pênis dourado, em formato de homem, para o desprezo do agente de publicidade dela.

Era tudo glamoroso, Sessums chamava de ‘glamour brega’; até que as festas exageradas, visitas noturnas de um bando de prostitutos e um vício em metanfetamina o consumiram. ‘A cocaína veio primeiro, e então as prostitutos.’ Era apenas uma questão de tempo até que ele desabasse.

No começo de 2012, ele estava esgotado; havia contraído o HIV, estava acabando com sua saúde com drogas e ficando sem dinheiro. Ele tinha gasto todo seu dinheiro, deixando-o sem teto na cidade de Nova York e incapaz de cuidar de seus dois cães. “Quando você não consegue cuidar de seus cães, você sabe que está encrencado”. Sessums disse ao Unicorn Booty.

Agora com 59 anos, Sessums acabou de terminar um trabalho de dois anos como editor da revista LGBT FourTwoNine de São Francisco. Ele é um homem mudado e feliz: sóbrio e “sem desejos de sexo recreativo apesar para transar”. Ele não vai a bares, ele não está no Grindr; ao invés disso, ele prefere fazer caminhadas, andar de bicicleta, sair com seus cães.

Ele leva em seu bolso uma estatueta do Deus hindu com cabeça de elefante, Ganesh, como um lembrete diário de sua espiritualidade e sobriedade. Seu estilo de vida atual está a mundos de distância daquele que seus dias de Nova York o ofereciam. I Left It On The Mountain, Kevin Sessums, memoir

Refletindo sobre seu próprio caminho para a salvação espiritual, Sessums conta sua história extraordinária em uma autobiografia, I Left It On The Mountain. Nela, ele dá um olhar inabalável em um passado cheio de orgias com metanfetamina, contatos com o diabo quando ele entrava em estados de overdose, e finalmente termina com baldes de lágrimas derramadas sobre seu completo desespero e busca pelo perdão próprio. Escrever a biografia foi terapêutico para ele, uma busca pela luz.

O fato é que em meados de 1995. Sessums se encontrava em um ambiente familiar de celeridades, drogas e sexo, lutando constantemente contra seu lado animalesco para foder com tudo e ceder. Ele via caras gostosos andando pela rua, e se pegava olhando para as veias em seus braços, fantasiando em injetá-las. Ele sexualizava tudo e todos, às vezes ele rabiscava involuntariamente palavras como ‘boceta’, ‘pau’, ‘foda’ em pedaços de papel. Um dia, o ator Michael J. Fox acabou encontrando um desses pedaços de papel depois da entrevista deles e o confrontou a respeito: ‘Era uma ladainha para um jogo de associação de palavras’, riu Fox. Humilhado, Sessums acabou com o resto de sua vodca.

A droga escolhida por Sessums foi inalar metanfetamina com um prostituto gay bonito que ele tinha encontrado no site de encontros Manhunt; ele preferia os mais jovens com covinhas nas bochechas, aqueles que não achavam nada de estarem pelados. Um acabou estuprando-o; enfiando pedaços de cristais de metanfetamina em seu ânus enquanto ele estava desmaiado na cama. Mergulhado em metanfetamina, Sessums esqueceu tudo, seus sentidos completamente esquecidos.

Sessums começava a farra logo cedo pela manhã, antes de encontrar seus entrevistados. Na noite antes de entrevistar o ator Daniel Radcliffe para o The Daily Beast, ele ferrou com seu cérebro ao inalar os narcóticos fundo em seus pulmões, dopado em delírio.

O comportamento destrutivo continuou por anos. As pessoas poderiam se perguntar como ele conseguiu manter tal emprego de alto padrão nesse estado mental e físico, mas era só rotina para ele a esse ponto. Ele tentava suprimir sua farra de uma noite inteira com seu ritual de um banho, um vitaminado, uma banana, três xícaras de café, iogurte, Gatorade, bebendo litros de água, escovando os dentes, e usando um colírio confiável para esconder seus olhos vermelhos. Kevin Sessums, dogs, Archie, Teddy

Sessums finalmente admitiu que ele era um viciado em drogas àqueles de quem ele se sentia mais próximo: Archie e Teddy, suas duas misturas de terrier e chihuahua. No final de 2010, ele tinha se tornado um usuário intravenoso regular e cliente dos prostitutos que forneciam para ele, dominando a arte de esconder isso de todos, até mesmo de seu chefe. Com uma maquiagem em bastão, ele escondia as marcas em seu braço, as marcas que desde então o deixaram com uma cicatriz.

Em dezembro de 2011, a vida de Sessums chegou o ponto mais baixo: ele tinha se tornado um ‘viciado em metanfetamina sem teto, pobre e desesperado’ lutando para sobreviver com cupons para comida. Os amigos nem o deixavam mais ficar em suas casas. Um deles teve que despejá-lo de seu apartamento em Provincetown onde ele tinha oferecido uma cama sobrando para Sessums, por medo de que ele morresse lá dentro. Tristemente, Sessums viu o suicídio como uma solução racional para sua situação. Ele teve uma overdose no apartamento de seu amigo depois de um período de seis meses de sobriedade, deitado na cama acordado por quatro dias diretos, alucinando, o choro incompreensível de seus cães tentando salvá-lo. Sessums descreveu a overdose como uma experiência de quase-morte — é uma parte de seu livro que ele mesmo tem dificuldade de ler, até agora.

“Mexe comigo”, ele diz.

O que acabou com ele, acima de tudo, foi ver as caras confusas e tristes de seus cães, latindo e chorando quando ele os deixou no canil para ir se limpar. “Isso está me matando”, ele disse a um amigo. E esse foi o momento de rendição de Sessums; 22 de dezembro de 2011: o dia em que ele entrou em reabilitação no Centro LGBT em Nova York.

No funeral de seu querido amigo Perry Moore — um autor e roteirista de Hollywood que morreu de uma overdose de drogas em fevereiro de 2011 — Sessums fez uma promessa de sobriedade em suas orações. Ele e Moore se conheceram em uma fez em Nova York em 1995. Eles se deram bem imediatamente ao longo de seus familiares anos de formação, rapazes do sul tentando incorporar sua criação religiosa rigorosa em suas novas vidas como Nova Yorkinos gays. Eles tinham formado ‘um tipo de relacionamento entre irmão mais velho/irmão mais novo’. Sessums dedicou sua biografia a Perry.

Sessums também tinha feito uma promessa de sobriedade a Brandon, um jovem garoto a quem ele estava aconselhando desde 1996. Ele conheceu Brandon por meio de um “programa de amigos” de uma organização voluntária de serviços sociais chamada de O Centro da Família, acreditando que a única forma de se curar era aconselhando outra pessoa. O relacionamento começou narcisista no meio do vício às drogas de Sessums, mas com o tempo ele e Brandon desenvolveram um amor genuíno um pelo outro. Eles passavam tempo juntos fazendo coisas que pai e filho fariam: indo ao cinema, jogando basquete, andando de bicicleta.

“Ter outra pessoa em quem focar ajuda”, diz Sessums. “Eu era aquela pessoa que se voluntariaria só para que você pensasse em mim como aquela pessoa que se voluntaria. Aprendi com a sobriedade com ser de utilidade de um jeito menos egoísta. O serviço me mantém sóbrio”.

Sessums espera que aqueles lutando com algo parecido, como o vício em drogas ou sexo, e aqueles procurando por um objetivo de auto-aceitação na vida se identifiquem com sua história e percebam o que ele aprendeu, “Há esperança. É uma presença”, Sessums diz. “Ela espera por você.”

Depois de sua overdose quase fatal, onde ele descreve ter encontrado o diabo, e ter sido levado por Lúcifer, Sessums agora chama a sobriedade de seu céu, seu paraíso.

Era dezembro de 2012: ele tinha apenas $1,23 em sua conta bancária, mas estava sóbrio havia seis meses. Ele tinha pego seus cachorros de volta do canil em Provincetown. Ele recebeu algumas ofertas para escrever do nado, uma para a revista Country Living, entrevistando o ator Corbin Bernson, e a outra foi uma história de capa sobre Mary J. Blige para a revista LA Confidential.

Ele tinha se perdoado.

Sessums escalou a montanha mais alta da África, Monte Kilimanjaro, e fez uma peregrinação através dos antigos Caminhos de Santiago no noroeste da Espanha para encontrar a auto-aceitação que ele tanto desejava. Isso o lembrou de sua habilidade de ser uma pessoa disciplinada e apagou o diagnóstico que ele sentia que o definia antes. “Os Caminhos substituíram o HIV”, ele diz. “O substituíram em um lugar tão profundo que eu nem consigo dar um nome. Alguns podem chamar de alma.”

Olhando para trás para seu estilo de vida hedonista e ostentoso, Sessums abstém-se de arrependimento, e ao invés disso adota uma perspectiva graciosa e humilde para seu futuro.

“Os pontos altos da minha vida – engraçado que você tenha que usar a palavra “alto” – estão relacionados a não estar alto. Coisas simples. Uma caminhada sozinho nessa linda cidade e explorando os bairros significa muito para mim agora”, Sessums diz ao Unicorn Booty. Kevin Sessums, 429, magazine

Sua vida na revista FourTwoNine de São Francisco deu a Sessums um tipo de liberdade que ele nunca teve na Vanity Fair. Ele tinha terminado seu tempo na Vanity Fair devido a diferenças estilísticas quando o jornalista americano Graydon Carter tomou o lugar de editor. Sessums diz, “Eu tinha me tornado para eles o reflexo brega de suas personalidades glamourosamente sérias que eles odiavam ver”. Quando ele saiu, ele tinha 27 histórias de capa de sucesso na Vanity Fair em seu nome.

Sua carreira jornalística agora pode vir sem um carro caríssimo e convites para festas do Oscar de famosos, mas para ele não é menos recompensador. Coincidentemente, Sessums às vezes sente que ele é um dinossauro num negócio que está morrendo.

Ele também me diz que acabou de ler o poema “Se Tenho Medo” do John Keats, o qual ele chama de conforto numerosas vezes ao longo de sua biografia.

O poema é a confissão pessoal de Keats, o medo de uma morte prematura, morrer antes de terminar os textos que ele é capaz de escrever:

“Se tenho medo de meus dias terminar
Antes de a pena me aliviar o espírito
… Do vasto mundo eu fico só, a meditar,
Até ir Fama e Amor no nada naufragar”

Sessums acha que o futuro do jornalismo, com a queda das impressões e advento da mídia digital, tornará as impressões ainda mais caras — revistas físicas se tornarão uma experiência indulgente e tátil, tocar e virar fisicamente páginas brilhantes impressas um dia se tornará um luxo.

“Eu acho que cada vez mais revistas sejam produzidas corporativamente com apenas um anunciante embaixo da conta”, Sessums prevê. “Estórias de estilo de vida e característica ficarão por si só e ainda serão sutilmente parte de uma marca também.”

Se essa mudança acontecer ou não, ele está mantendo a cabeça acima do mar de piche nesse momento, e levando tudo exatamente como sua sobriedade, um dia por vez.

Ele continua orgulhoso de seus esforços como conselheiro e continua sua amizade com Brandon, a quem ele viu crescer de um jovem garoto para um adolescente de 18 anos, agora indo para a faculdade em Manhattan. Sessums ainda aproveita o sucesso como escritor — sua primeira biografia, Mississippi Sissy, esteve na lista dos mais vendidos do New York Times — e ele teve a liberdade na FourTwoNine para ser cândido com seus perfis de celebridade assim como ele fez em ‘James Franco Hetero conversa com o James Franco Gay’.

Sessums acredita que toda geração tem uma responsabilidade de passar adiante seu conhecimento e ajudar aos outros. “Todos os mentores se aconselham no final”, ele diz, e aquela salvação está em aprender como ser honesto consigo mesmo. Sua jornada à sobriedade lhe deu um reconhecimento mais profundo e significado para a vida.

“Alguns dias”, Sessums diz, “ser apenas o homem que é responsável o suficiente para recolher a merda de seu próprio cão e cuidar dele é destaque o suficiente para mim”.

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