Deixe o Clássico Cult Japonês ‘Hausu’ Te Surpreender com Bizarrices

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Unicorn Booty, shriek week, ghost, Halloween, scary, terror, emojiOk, existe um certo estereótipo quando se trata de filmes japoneses: eles são estranhos, difíceis de acompanhar, simbólicos e ambíguos e confusos para os ocidentais.

E apesar de nem sempre ser assim (Meu Amigo Totoro (My Neighbor Totoro) é o filme mais charmosinho feito em qualquer país) nenhum filme é um exemplo melhor dessa ideia do que o filme de terror(?) mistério(?) romance(?) House (Hausu) de 1977.

Curiosamente, nós temos que agradecer ao Steven Spielberg pelo filme, pelo menos em parte. Foi logo após Tubarão (Jaws), e o estúdio de cinema Toho procurava um thriller sensacionalista similarmente assustador. O estúdio procurou o Nobuhiko Obayashi, que já era bem conhecido no mundo do cinema de vanguarda e experimental.

Mais recentemente, Obayashi dirigiu uma série de comerciais com estrelas americanas, e era conhecido pelo uso de imagens estranhas, como nesse que segue abaixo onde o herói de ação de Desejo de Matar (Death Wish) Charles Bronson fica íntimo de um porteiro super empolgado antes de jogar sua camisa para cima (ela nunca cai), ficar se passando eau d’toilette e atirando um revólver repetidamente, só porque sim.

Para desenvolver a história de House, Obayashi procurou sua filha pré-adolescente, pedindo para ela compartilhar histórias dos seus medos de infância. Uma casa que comia garotas, um espelho mortal e dedos presos entre teclas de piano foram parar no filme, misturados com ansiedades mais adultas sobre bombas atômicas e amantes separados.

Ele enviou o script para a Toho, e todos os diretores do estúdio se recusaram a dirigir a história esquisita. Posteriormente, os executivos deram permissão ao Obayashi para realizar o filme, em parte graças à pressão feita pelos fãs do seu trabalho experimental.

Talvez seja por isso que o produto final tenha ficado tão estranho: Obayashi deve ter se sentido incentivado a criar algo realmente singular. Os efeitos especiais são intencionalmente óbvios, feitos para parecerem como se tivessem sido feitos por uma criança. E de fato, muitos dos efeitos parecem pinturas a dedo, ou grosseiramente sobrepostos como algo cortado e colado em um livro.

A trama acompanha um grupo de meninas estudantes de férias no interior com uma tia reclusa. Uma das garotas, Gorgeous, se sente ressentida por seu pai ter casado com outra mulher; todas as garotas são personagens estereotipados: tem uma que ama comida, a nerd viciada em livros, a amante de música sensível e a durona expert em artes marciais.

Logo, as garotas começam a ser pegas: uma garota perde a cabeça enquanto recupera uma melancia congelada; um armário sobrenatural enterra outra garota em colchões; um piano literalmente come uma delas; outra fica presa em um relógio mortal. Por fim, um banho de sangue literal aguarda os sobreviventes, e o filme acaba com uma mensagem sobre a importância de se contar a sua história de amor. Sim… bizarro.

Poucas pessoas na Toho esperavam que a visão bizarra seria um sucesso, mas para o espanto deles foi um hit — particularmente com os espectadores mais jovens. Os críticos, por outro lado, odiaram. Obayashi depois dirigiu filmes amados como School in the Crosshairs e The Drifting Classroom, e ambos são bem estranhos — com estudantes com poderes sobrenaturais e temáticas de fascismo pós-apocalíptico — e um pouco difíceis de acompanhar.

School in the Crosshairs conta com um visitante do espaço que invade um escola para recrutar um exército de estudantes; The Drifting Classroom é sobre uma escola internacional que se perde no tempo e fica presa em uma área deserta e mortal.

Os filmes não tinham muita lógica, mas o prazer não está em entender a história, e sim em relaxar e deixar a confusão tomar conta de você.

Publicado anteriormente em 6 de fevereiro de 2016.