Dia Nacional da Consciência Negra é dia de celebração e luta

História

Hoje, 20 de novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra, data criada em memória ao líder quilombola Zumbi dos Palmares, o maior símbolo da resistência de pretos e pardos brasileiros. Este ano sua morte completa 322 anos e sua luta e morte é um convite à reflexão sobre a permanência do racismo e suas consequências em uma nação que foi a última a abolir a escravidão.

Estabelecida pelo projeto lei número 10.639 em 9 de janeiro de 2003 esta data foi escolhida por ter sido o dia da morte de Zumbi dos Palmares no ano de 1695, uma homenagem mais que justa ao negro que morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade, que muito nos lembra os confrontos de LGBT nas lutas pela igualdade e respeito como na década de 60, nos Estados Unidos, na noite do dia 28 de junho de 1969 quando usuários de um bar LGBT em Nova York, o Stonewall Inn, resistiram à prisão, e a polícia perdeu o controle da batida, data que se tornou o marco da comemoração do orgulho LGBT no mundo todo.

 

Por que celebrar esta data

A criação desta data serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos contribuíram muito na nossa formação identitária nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos em todo o território brasileiro.

Vivemos momentos de extrema tensão contra essa identidade ao vermos centros religiosos de umbanda, ou religiões afro-brasileiras sendo vilipendiados por extremistas religiosos que ocupam não só as bancadas políticas do governo, mas também os espaços culturais, impedindo inclusive mostras de arte e cultura.

A história nos mostra a valorização dos personagens históricos de cor branca, como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes, nos livros de história, ainda vemos imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares considerados heróis nacionais.

 

Dados e números (atualizados entre 2016 e 2017)

  • 54% da população brasileira se declara como negra (IBGE)
  • A cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras (Atlas da violência)
  • Jovens negros têm duas vezes e meia mais chances de seres assassinados no Brasil que jovens brancos (Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República)
  • 61,5% das pessoas presas no Brasil são negras (INFOPEN)
  • 63,7% dos desempregados no Brasil são negros (IBGE)
  • Somente 27% das mulheres negras no Brasil têm acompanhamento médico durante o parto (Ministério da Saúde)
  • Negros ganham em média 59,7% do salário dos brancos (IBGE)