Flashback Do Eurovision: Uma Lição de 5 Países Que Deram Uma Forçada Para Ganhar

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Todo mundo sabe que o Eurovision do final da década de 2000s foi a melhor época do Eurovision. É inegável. A vitória da banda de metal demoníaca Lordi pela Finlândia em 2006 mexeu com as expectativas de todo mundo do que uma performance do Eurovision deveria ser, e pelos anos seguintes, teve todo tipo de novas esquisitices por todo lugar que você olhasse com os participantes tentando descobrir como lidar com as novas expectativas de como um concorrente vencedor do Eurovision deveria parecer.

Aqui estão alguns dos melhores exemplos das esquisitamente maravilhosas tentativas de alguns países de levar a coroa do Eurovision pra casa.

Por exemplo, em 2008, Sébastien Tellier, pela França, andou de carrinho de golfe pelo palco, inalou hélio de uma bola de praia inflável, e cantou que nem um esquilo ao lado das suas backing vocals que eram mulheres barbadas — o que é bem Sébastien Tellier.

Em 2007, a Suécia cantou uma música de glam-rock sobre ter crises de ansiedade chamada “Worrying Kind.” Para uma música sobre doença mental e depressão, é surpreendentemente alegre e animada.

A Suíça errou feio ao mandar uma música de Euro-pop sobre vampiros (complete com dançarinos vampiros góticos/punks a lá BladeMatrix). Monstros estão na moda, né? Foi isso que as pessoas gostaram no Lordi, né? Não. Errou.

Em 2007, muitas pessoas estavam torcendo pela participante da Ucrânia, a reconhecidamente completamente demais Verka Serduchka com a reconhecidamente completamente demais “Dancing Lasha Tumbai” — cheia dos ouros, com figurino no estilo soviético, uma drag queen com uma estrela prata na cabeça que dá tapas na bunda, e um polka-pop contagiante. “Lasha Tumbai” é, a propósito, uma frase sem sentido que Serduchka jura de pé junto que não teve a intenção, de maneira alguma, de soar com “Russia Goodbye” (Adeus Rússia). Vamos combinar, por que uma drag queen ucraniana cantaria uma música com “Russia goodbye” como seu refrão? Isso é loucura. Você é louco por pensar isso.

Serduchka terminou em segundo lugar — e eu acho que merecidamente, apesar de que na primeira ouvida a vencedora, “Molitva” da cantora sérvia Marija Šerifović, parece bem mais próxima do padrão Eurovision que “Dancing Lasha Tumbai.” Quer dizer, é só outra balada Bálcãs, né? Mas tudo bem, para começar, se você não ama o estilo amarrotado, dormi-usando-terno, machona, sem remorsos, você está louco e você está errado – e meu Deus, a voz dela é incrível. Talvez a melhor maneira de entender a grandeza de “Molitva” é por comparando ela com a participação da Rússia em 2003, o ano que a Rússia tentou ganhar mandando suas maiores pop stars internacionais da época, o figurino atrai atenção-dos-homens falsa-lésbica t.A.T.u.

Apesar do álbum do t.A.T.u 200 KM/h in the Wrong Lane é, de certa maneira, uma obra-prima do pop negligenciada, em pé de igualdade com o álbum de 2007 da Britney – Blackout, essa performance mostra tudo que tem de errado com o t.A.T.u. e tudo que tem de certo com a Šerifović. As integrantes do t.A.T.u, Julia Volkova e Lena Katina são mulheres héteros com… vozes não das melhores… se conformando com a heteronormatividade de apresentação de gênero enquanto usam pseudo homossexualidade como ferramenta de marketing e cantam músicas sobre nada. Por outro lado, Marija Šerifović é de fato lésbica (apesar de que ela só saiu do armário oficialmente seis após sua vitória no Eurovision) — representando um país que é quase tão homofóbico quanto a Rússia de Putin — com uma voz de verdade, cantando uma música sobre como ela vai amar quem ela ama e não importa o que os outros digam sobre ela. E talvez isso seja o legal da extravagância afetada exagerada que é o Eurovision. Apesar da insana ridicularidade em tudo, ultrapassando todos os artifícios, as vezes alguém pode parar o show sendo, de repente, inesperadamente, incontrolavelmente verdadeiro.