Homens trans no futebol sofrem mais preconceito que gays

Não. Esse não é mais um time de gays que resolveram jogar bola, mas de meninos trans que não buscavam apoio em centros de acolhimento porque se encontravam desmotivados e sem uma perspectiva de vida. O “Meninos Bons de Bola” já conta com 20 homens trans além de muitos sonhos, como a criação de uma república de acolhimento.
O sentimento dos participantes é bem diferente dos meninos de um time gay, em que sua cara, barba, beleza e masculinidade natural já criam uma barreira ideológica contra o preconceito. Aqui, os meninos têm que provar que são meninos.

“Já vivemos situações bastante constrangedoras jogando futebol. Piadas extremamente violentas como “é menina ou menino?” “Se tem peito é mulher”, “ela joga igual homem!”, “é tudo sapatão”, além de ficarem nos chamando pelo pronome feminino, relata relata Raphael Henrique,
orientador socioeducativo do Centro de Referência e Defesa da Diversidade em São Paulo.

Na concentração
Meninos ainda na fase de transição
Antes do jogo
Em campo
Raphael percebeu que quase não surgiam homens transexuais no Centro, foi então que surgiu a ideia de atraí-los através do esporte, e uma pesquisa revelou que o futebol era o que mais contava. No primeiro encontro, motivado através de uma programação comunitária em 2016, compareceram 30 pessoas entre homens trans, suas companheiras, mães e amigos.

“Foi um dia bem marcante pois além do futebol tivemos uma roda de conversa bem comovente onde várias participantes contaram um pouco da sua vida, e ali eu e Moira Escorse, psicóloga do centro, vimos a importância de seguir com o projeto”, conta Raphael.

Os diretores do projeto Raphael Henrique, Pietro Henrique, Pedro Vieira, Bernardo Gonzalez e Robert Costa, decidiram que o nome do time tinha que ter a palavra “meninos” justamente porque questões de inclusão, além de calendário de treino com local fixo, o que traria segurança para os encontros em que a única restrição para participar é ser transexual/ transgênero.

A mensagem principal que queremos deixar é: nossos corpos são diferentes dentro das quadras e temos nossas especificidades enquanto grupo, mas queremos igualdade de tratamento e de existência em relação às pessoas não transsexuais/transgêneras.

Treinos: domingos das 8h às 13h na quadra dos bancários – Rua Tabatinguera 192, Sé . São Paulo/SP

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Contato: (11) 951347589 – Raphael.