Garotões Fumando: Como Empresas de Pornografia Gay Estão Misturando Sexo com Baseado

This post is also available in: Inglês

treasure island media, weed, marijuana

O estúdio pornográfico Treasure Island Media (TIM) recentemente anunciou que está ampliando seus negócios para o ramo dos baseados (tipo o Willie Nelson). No próximo outono, a empresa planeja liberar dois trabalhos relacionados para venda na Califórnia: uma sativa chamada de Master e uma indica chamada de Slave.  Matt Mason, o gerente geral do TIM, prometeu que seus atores vão:

…acender sua energia sexual, assim como levá-lo a êxtase sexual profundo pronto para um prazer intenso sexualmente estimulante. Treasure Island Media será uma das primeiras empresas de entretenimento adulto a juntarem maconha e pornografia.

O anúncio de Mason confirmou algo que Karen Tynan — a advogada-chefe do TIM e muitos outros estúdios da indústria para adultos — disse numa entrevista com a Playboy: “Alguém deveria ter feito isso anos atrás!”

Com opiniões públicas em todo o país favorecendo cuidadosamente alguma forma de legalização da maconha, Tynan e outros veem uma oportunidade incrível para sinergia de mercado entre pessoas que gostam de consumir maconha, pessoas que gostam de transar, e pessoas que gostam de transar enquanto consomem maconha.

Mas o que torna maconha e pornografia uma combinação tão potente? Maconheiros podem falar o quão bom é o sexo depois de umas tragadas, mas como isso é traduzido na pornografia? A lista a seguir estuda cinco locais na pornografia recente onde baseados tiveram alguma relação importante com a foda que estava acontecendo ao redor deles.

treasure island media, stoner six-way, gay porn, marijuana, weed, pornography
Chupando mamilos peludos em “Stoner Six Way” do Treasure Island Media

Treasure Island Media

Treasure Island Media tem ficado menos tímido quanto a mostrar seus modelos abertamente acendendo em seus filmes mais recentes. No último mês de Dezembro, a venda de seu filme Hard Cuts I foi temporariamente banida no Reino Unido (onde foi filmado), em partes por causa de uma das cenas chamada de “Stoner Six-Way”.

Na cena, meia dúzia que homens nus relaxam na sacada de um apartamento em Londres, fumando e passando o que parece ser um cigarro de maconha. Depois de umas tragadas, eles começam a passar o ator Jake Ascot. Críticos britânicos opuseram-se ao cenário exterior (que poderia violar várias leis de pudor) tanto quanto à substância desconhecida sendo fumada.

Em uma entrevista com a cooperativa de arte gay AMAE, o provocador pornô Paul Morris discute que seu estúdio meramente documenta o sexo conforme ele se desenrola:

Uma performance é algo que um dançarino ou um ator faz no palco. Sempre que posso, tento deixar o elemento da performance fora do que fazemos. Se um homem precise fumar um pouco de maconha para se divertir mais e ficar menos nervoso, por mim, tudo bem.

Morris tem uma abordagem pragmática quanto a fumar maconha em frente às câmeras: se fumar logo após acordar é parte de sua rotina diária, então não há problemas em fazer isso antes (e até mesmo durante) das filmagens, contanto que todos saibam e aceitem isso. Você só precisa dar uma olhada nas fileiras enormes de cachimbos usados que a câmera do Morris mostra no começo de “Stoner Love on the Farm” (incluído em Breeding Season III) para saber que os caras parrudos na cena vão ter uma foda bem tranquila, mas bastante intensa. E eles têm.

Porque os maconheiros podem gostar disso:

Maconha não é nem o foco nem a desculpa para o sexo, que consegue ser tanto discreto quanto intenso ao mesmo tempo. A inveja pode se instalar um tempo depois — só tenha certeza de que você sabe exatamente o que tem naquele cachimbo antes de dar uma tragada.

Deviant Otter

Massachusetts — onde fica localizado o Deviant Otter — descriminalizou a maconha em 2008. Ser pego em posse ou fumando uma pequena quantidade de maconha agora é uma ofensa civil, no máximo. Devin Totter, o empresário maconheiro do local, diz que ele é um “burro sortudo” por nunca ter sido pego quando era criança. Ele se lembra de dar sua primeira tragada com uns garotos no evento de dança do ensino fundamental, e nunca parou de usar desde então.

Totter chama o que ele faz de “pornô real”. Ele geralmente relaxa com outros caras, contando piadas, e talvez passando um cigarro de cá pra lá — tudo parece tão local.  Em uma cena, ele fica com um cara que conheceu enquanto pegava maconha de um amigo na esquina. (Ele tinha ficado com essa sua conexão algumas semanas antes quando estava testando sua nova câmera GoPro; a cena deles também está no site.)  Aquele cara, no fim das contas, já tinha ficado com o namorado do Totter algum tempo antes.

Ele não vê muita diferença entre filmes pornô para seu site chapado ou não. “Eu faço isso em meus vídeos”, ele me diz pelo Skype. “Eu não considero como trabalho.” Quando eu lhe pergunto se ele teve alguma reação negativa pelo uso de maconha nas telas, ele simplesmente ri: “Eu escuto mais merda pelos cigarros e poppers”.

Então pense no Deviant Otter com uma representação de um grupo sensual de maconheiros: caras que meio que se conhecem (talvez a versão mais sexy daquele cara que você come com os olhos nas noites de Sábado no bar do seu bairro), mas para quem a maconha não é uma desculpa para o sexo. Ao invés disso, é o lubrificante social necessário para uma foda boa e gostosa.

Porque os maconheiros podem gostar disso:

A amabilidade de Totter, a beleza dele, e a vibe genial te lembra aquele cara da festa que se certifica de que as coisas cheguem até você. Seus amigos podem até falar mal, mas você sabe que se divertirá muito mais se largar aqueles malucos for para a casa dele. De tudo que você testou, você sabe que ele tem uma conexão muito boa.

fraternity x, weed, gay porn, bong, blowjob
One Fraternity X member smokes a bong while his pledge smokes cock.

Fraternity X

Ah, os pegas da vida de graduação.

Minha república da faculdade tinha um narguilé da casa, que nós apelidamos carinhosamente de Henrietta. Rumores na casa diziam que Henrietta foi nomeada a partir do pênis de um veterano bissexual que sempre ficava por perto, mas nunca participava.

No geral, os membros da minha república não tinham problema nenhum com coisas gays. Quando um membro tecnicamente hetero anunciou de manhã (logo após uma grande festa) que ele tinha acabado de descobrir que não tinha reflexo de engasgo, ninguém arregalou os olhos.

Como em minha república, vários dos caras que aparecem no site Fraternity X também não parecem ter reflexo de engasgo. Diferente da minha república, seus narguilés são aqueles de plástico barato que você consegue comprar em qualquer posto de gasolina. Mesmo assim, os membros da Fraternity X dão muitas tragadas naqueles tristes e não amados narguilés, enquanto fodem outros caras brancos com nomes como Trev, Matt, e AJ.

Tom Faulk, fraternity x, smoke, gay, weed, sunglasses, shades
Tom Faulk curtindo ser fumado em Fraternity X

É meio difícil dizer porque eles estão fumando tudo aquilo. Eles obviamente não precisam de nenhuma meleca grudenta para perder as inibições. E se for mesmo, mesmo um capítulo real de alguma república sem nome de uma faculdade do Arizona, então por que diabos o ator pornô Tom Faulk está passando por lá?

Sim, sua necessidade confessada por maconha foi bem documentada, mas Faulk se parece menos com um estudante e mais com um caipira da cidade que os irmãos toleram mais porque ele consegue cervejas decentes pra eles e deixa a grama apresentável de tempos em tempos.

Porque os maconheiros podem gostar disso:

Então talvez todas as tragadas no narguilé sejam apenas um símbolo de mau comportamento dos garotos, como todas as latas/garrafas/copos de cerveja rançosa molhando o chão e os pôsteres do Tupac desgrudando da parede. Depois das alegações recentes de TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) causado por trotes extremos na república de Penn State, os palhaços bêbados e chapados da Fraternity X são mostrados como se fossem melhores que os outros, especialmente dado o triste fato de que homens de outras raças são presos por ofensas relacionadas com maconha 3,73 vezes mais do que caras brancos. Os garotos de Fraternity X serão expulsos da faculdade por serem moradores de merda muito antes de ser colocados na cadeia pelas nuvens de fumaça de maconha saindo pela porta da frente.

Wilde Road, Christian Wilde, gay porn, sad, pool, death, pieta

Wilde Road

Imagine isso: é 2013 e você é descrito pelo seu estúdio como o garoto propaganda do que uma estrela pornô americana deveria ser. A indústria está fazendo sua primeira tentativa de voltar ao pornô narrativo, e você foi escalado para um papel num romance episódico e carinhoso sobre um jovem rapaz com um abdômen incrível entrando nos termos com sua confusão sexual. Como melhor mostrar a consciência erótica emergindo de seu personagem de uma forma que é sensível e também faz sentido na estória?

Se fosse uma comédia de 1930, você acidentalmente beberia algo alcoólico e perderia suas inibições. Mas já que estamos na Califórnia nos dias modernos, você acidentalmente come um prato de “brownies mágicos” enquanto assiste Troy Daniels e Jimmy Durano demonstrando as nuances do sexo tântrico.

Assistir alguém ficar chapado através de comestíveis é meio chato.  Isso resolve um problema jurídico de produção — é mais fácil esconder maconha em um brownie do que escondê-la em um baseado — enquanto cria vários outros problemas relacionados à atuação.  Não vou negar que Christian Wilde é um cara muito sexy, mas assisti-lo ficar à toa e engolir as palavras conforme ele entra em contato com seus desejos gays foi como um buraco na estrada no meio de uma viagem cênica.

Porque os maconheiros podem gostar disso:

O sexo em si está fumegando, mesmo quando nada mais está. Entretanto, se o vagabundo gostoso-mas-confuso do Christian Wilde comeu aquele monte de brownies com maconha, ele poderia ter enlouquecido e saído correndo do ator Jessie Colter — ou tentado esfaqueá-lo— ao invés de tê-lo fodido em uma rede de dormir.

gay porn, high tops, raging stallion, ben leon, marijuana, weed
Damian Rios e Alex Eden transam dentro de uma fábrica de criação de maconha em High Tops do Raging Stallions.

High Tops

High Tops é discutivelmente o único pornô produzido por um estúdio que tem o fumo de maconha como tema. “Quando você é um diretor de pornô”, o criador Ben Leon disse em uma entrevista por e-mail, “você procura por nuances para adicionar identidade ao que são, na maioria, situações sexuais repetitivas”. Leon, um ávido fumante de maconha, teve acesso a uma casa de criação cavernosa na Califórnia, onde foram filmadas várias cenas deste filme cult do Raging Stallions.

marijuana, weed, high tops, raging stallion, ben leon, gay pornLeon se inspirou em Un Chant d’Amour, o único filme escrito e dirigido pelo notório ativista político gay Jean Genet. Encenado em uma prisão, o enredo do filme é a relação entre dois prisioneiros em celas adjacentes. Enquanto um guarda invejoso espia pelas fechaduras de suas portas, os dois homens entram num vagaroso jogo de sedução. Um homem árabe peludo, mais velho, assopra fumaça de cigarro dentro de um canudo que o prisioneiro mais jovem — um jovem francês tatuado numa regata justa — tinha passado através de uma rachadura na parede entre eles. A fumaça entra na boca aberta do cara mais novo, que inala gananciosamente.  É uma imagem de grande beleza erótica.

O enredo de High Tops é uma homenagem explícita a Genet.  Alex Eden está concentrado em seu trabalho, cortando caules de alguns botões da planta, enquanto Damian Rios passa através das fileiras de plantas cannabis indistintas. Cada um dá uma tragada de um chilum, segurando a fumaça antes de deixá-la passar vagarosamente entre seus lábios.  A câmera de Leon gira entre ambos e faz closes que oscilam na espiral de fumaça em torno deles. E apenas então, depois de uma rápida escurecida na tela, eles fodem.

Eles estão de fato transando ou estão apenas pensando que estão transando durante a pausa para fumar? Isso está mesmo acontecendo ou é só uma fantasia abastecida pelo baseado? Depois de compartilhar um pouco de fumo, os prisioneiros de Genet entram num sonho onde eles transam sob uma árvore no meio do interior da França. Quando Rios se abaixa para Eden embaixo de uma treliça de folhas verdes de haxixe, eu penso comigo, perto o suficiente.

Porque os maconheiros podem gostar disso:

Leon realmente pensou nesse filme, tornando a fumaça uma parte integral da experiência estética e erótica. Você deveria vir pelo sexo, mas ficar pela música. A trilha sonora em trip-hop criado por The minor9 (uma dupla de São Francisco) entrega uma mistura sedutora de vozes murmurantes e batidas enganadoras. É o tipo certo de trilha sonora a tocar enquanto você e o cara especial relaxam antes de ir aos negócios.