Carnaval sem brilho? Cientistas querem banir o glitter da face da terra.

Nós sabemos que a principal maneira de aparecer nos bloquinhos é enchendo a cara de??? Dele mesmo, do famoso glitter. O produto se popularizou principalmente entre os foliões gays dos bloquinhos em fevereiro. Mas parece que uma equipe de cientistas tem razões mais que óbvias pra acabar com essa parte da festa e não é pra menos.

Segundo o site Independet, o brilho do glitter que parece ser uma diversão inofensiva levou alguns cientistas a pedirem à indústria que ele fosse banido de vez por conta de seu impacto ambiental. A maior parte desse produto barato é feita de plástico e o pequeno tamanho de suas partículas o torna um potencial risco ecológico, particularmente nos oceanos.

“Eu penso que todo glitter deve ser banido, porque não passa de microplásticos”, disse o Dr. Trisia Farrelly, um antropólogo ambiental na Universidade de Massey. Os microplasticos são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros de comprimento. Seu tamanho o torna um item industrial altamente perigoso para os animais.

Há décadas, todos os animais marinhos, incluindo as baleias foram documentados comendo plástico, muitas vezes com consequências fatais, mas um detalhe é assustador: os microplasticos podem acabar dentro de nós quando consumimos frutos do mar. Ou seja, ESTAMOS COMENDO GLITTER. Um estudo liderado pelo professor Richard Thompson informou que o plástico foi encontrado em um terço do peixe capturado no Reino Unido.

O glitter é um resíduo negligenciado no problema mais amplo da poluição plástica marinha, e eles são usados ​​em uma ampla gama de produtos. “Quando as pessoas pensam em se pintar, elas pensam em brilhos que incluem cosméticos, o tipo mais cotidiano e devastador da indústria e que ninguém imagina o perigo que está sendo exposto” disse a Dra. Trisia Farrelly, uma antropóloga ambiental da Universidade Massey.

A maioria dos tipos de glitter é feita de alumínio e um plástico chamado PET. O Dr. Farrelly investigou como o PET pode liberar produtos químicos que perturbam hormônios nos corpos de animais e humanos. Tais produtos químicos foram associados com o aparecimento de cânceres e doenças neurológicas.

Como no Reino Unido, o governo da Nova Zelândia também tomou medidas para restringir o uso de microplástico tingido, mas não está claro se isso incluirá o glitter que conhecenmos. De acordo com um porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais, se o glitter for incorporado aos cosméticos e produtos de cuidados pessoais, será coberto pela proibição de 2018.

Essa medida pode comprometer a demanda de glitter no Brasil? Sim, visto que mais da metade desse produto é oriundo de importação de indústria mais barata de plásticos e resíduos. Ou seja, pelo meio ambiente e pela nossa própria vida, é melhor encontramos um outro ícone que nos dê o brilho no rosto, no corpo e nas roupas tradicionais em nossos blocos de carnaval.

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