O mundo precisa de heróis LGBT (reais e fictícios) agora mais do que nunca

This post is also available in: Inglês

O mundo é sombrio. E se fosse um livro, seria sobre o nascimento de um herói. Na beira do abismo da mudança quando as coisas vão de mal a pior. Uma luz brilhante, uma chama na escuridão, esse tipo de coisa. Alguém para restaurar o equilíbrio do mundo.

É fácil pensar que um herói não virá, por que não é um livro – é a vida real, e não possuímos mágica, ou super poderes para nos guiar através da escuridão. (Pelo menos não até onde sei.) É fácil acreditar que todas as histórias que líamos quando crianças eram apenas ilusão. No entanto, penso que aquelas histórias são mais importantes do que nunca. Não só porque são metáforas em como superar o mal, porque nos mostra que o mundo não precisa apenas de heróis – o mundo os quer. E uma boa história nos mostra que qualquer um pode ser um super-herói.

Nós temos visto um aumento nos últimos anos de pessoas de todas as raças, religiões e orientações levantando a voz e exigindo mais e melhor representatividade. O chamado pela diversidade em todas as formas tem sido encorajador, mesmo que a resposta seja lenta. E assim mesmo existe uma moda incomum nos editoriais, especialmente nos livros para adolescentes. Todos podem ser o protagonista. Qualquer um pode ser o centro da história. No entanto ainda é raro ver heróis que representam a diversidade, principalmente um herói que não se identifique como heterossexual.

Para mim, protagonistas e heróis são duas coisas diferentes. Um protagonista é o centro das atenções de uma história. Eles tem seus próprios problemas, e vivem seus próprios dramas. Talvez se apaixonem, ou lutem contra alguma doença, ou fazem algo épico. Mas um herói – na ficção, pelo menos – é alguém que recebe a missão de salvar o mundo, além de tudo.

Heróis LGBT tendem a ser raros.

Felizmente, temos visto mais protagonistas e estórias “gays” nos últimos anos. E são normalmente históriasde “problemas” – livros onde o foco principal está na sexualidade do protagonista, ao invés de ser uma descoberta, inclusivo. Esses livros são de importância incrível, especialmente para adolescentes crescendo em áreas que não aceitam as diversidades. Mais do que nunca devemos mostrar que vidas “gays” importam, devem ser amadas e merecem ser vividas. Eu também penso, que já é hora de priorizar essa questão.

Nós mostramos que todos tem uma história que vale a pena contar. Agora é hora de mostrar que todos podem ser heróis. Livros de fantasias e de ficção científica nos mostraram inúmeros casos onde é possível sonhar e ter uma versão mais maleável da realidade. Nós somos muito bons em nos imaginas em um futuro diferente e mais fabuloso. O problema é que quando as vozes gays aparecem é normalmente como uma coadjuvante. E são normalmente os primeiros a serem mortos para que os heróis completem a missão. O que não é mais exatamente o modelo que queremos para os jovens hoje.

Por anos, eu quis escrever uma série de fantasia onde o protagonista pudesse ser quer ser isso ser um problema. O que, tristemente, significaria escrever um livro que se passaria após o colapso da sociedade atual, onde nós teríamos mais com o que nos preocupar(tipo ser comido por monstros) do que ser maus uns com os outros. No meu último livro Runebinder, o protagonista Tenn nunca é questionado sobre sua orientação. Ele se apaixona por um cara e é retribuído, e é isso. De alguma maneira, só de escrever me parece mais fantástico do que os elementos mágicos do livro. Ele tendo que salvar o mundo é a cereja do bolo.

Mas esse é o objetivo, não é mesmo? Empurrar os limites do que a gente pensa ser acreditável. Podemos engolir livros com magia e monstros, e mesmo assim imaginar um mundo em que a sociedade acredite que a sexualidade é apenas um aspecto e não como se fosse a nossa característica única, seria ficção? Não me leve a mal – nós sabemos que somos multi-facetados, criaturas lindas com muitas histórias para contar. É uma maneira de levar o resto do mundo à um ponto de aceitação é onde começa a batalha.

No momento, eu penso que esta batalha é uma das mais importantes que estamos encarando, e é onde os heróis entram. O mundo precisa desesperadamente de heróis. Precisa de vozes diversas, vozes gays, vozes que são sub-representadas. Mudanças estão acontecendo. E precisamos ser os motores desta mudança na direção certa. Na ficção isso significa mostrar que pessoas gays são mais que apenas protagonistas, vivendo as próprias histórias. Nós somos heroicos. Heróis LGBT estão a altura do desafio de salvar o mundo.

Nós somos e sempre seremos os heróis que o mundo precisa.

Alex Kahler é o autor nômade de várias séries, incluindo The Immortal Circus e The Pale Queen. A próxima série, a ficção gay s-apocalíptica Runebinder, estreia em novembro de 2017 da HarlequinTeen. Você pode encontrá-lo em seu site ou no Instagram.

Imagem em destaque by Gearstd via iStock