PrEP é lançada hoje em São Paulo voltada para populações-chave

A cidade de São Paulo começa a oferecer nesta quinta-feira (18) a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), uma nova tecnologia de prevenção ao HIV, o vírus da AIDS. O lançamento vai acontecer no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Santo Amaro, que ganhou há menos de dois meses um novo espaço para atendimento. O evento contará com a presença das coordenadoras municipal e estadual de DST/AIDS de São Paulo, Cristina Abbate e Maria Clara Gianna, respectivamente, e de Adele Schwartz Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/AIDS e das Hepatites Virais (DIAHV), do Ministério da Saúde.

A PrEP consiste no uso diário de medicamentos antirretrovirais (ARVs) para pessoas soronegativas antes de uma exposição de risco ao HIV. Nesta fase inicial, a profilaxia está disponível no CTA de Santo Amaro, na zona Sul, bem como nos Serviços de Assistência Especializada (SAEs) Butantã, na zona Oeste, de Fidélis Ribeiro, na zona Leste, e no Ceci, também na zona Sul. Em fevereiro, a PrEP chega ao CTA Pirituba, na região Norte. Outras três unidades estaduais de saúde presentes na capital também vão ofertar a Profilaxia Pré-Exposição: Serviço de Extensão ao Atendimento de Pacientes HIV/AIDS (SEAP) – Casa da AIDS – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Ambulatório de HIV/AIDS da Escola Paulista de Medicina (EPM)/ Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/AIDS.

A prioridade para a PrEP são as populações-chave para a resposta do HIV,  que vivem em situação de vulnerabilidade ao vírus e têm mantido relações sexuais sem o uso do preservativo , como as profissionais do sexo, homens e mulheres trans, casais sorodiferentes (quando um tem HIV e o outro não), gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH).

“Os profissionais dos nossos serviços foram capacitados ao longo de todo o ano passado para identificarem pessoas com o perfil para uso da profilaxia. Por isso, as pessoas que se enquadrarem no protocolo de vulnerabilidade podem procurar as cinco unidades da Rede Municipal Especializada (RME) em ISTs/AIDS de São Paulo que agora estão oferecendo a PrEP para se informarem”, diz Abbate.

A PrEP faz parte de uma nova abordagem para a resposta do HIV. Trata-se de um cardápio de tecnologias de prevenção ao HIV/AIDS, que inclui o tradicional preservativo, mas também a testagem, tratamento, imunização, diagnóstico, redução de danos, prevenção à transmissão vertical e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que dão à pessoa e ao profissional de saúde a possibilidade escolher uma metodologia ou combinar várias que melhor se adequem às necessidades e ao momento de vida do usuário. A Prevenção Combinada é representada pela mandala abaixo.

 

mandala PrEP

Outra profilaxia também utilizada para evitar a infecção do HIV é a PEP. Diferente da PrEP, que deve ser utilizada antes da exposição, a PEP é indicada para casos quando já houve uma exposição ao risco. A prevenção à infecção do HIV também é feita com medicamentos antirretrovirais, que devem ser tomados por 28 dias seguidos. A PEP, no entanto, deve ser iniciada em no máximo 72 horas após a exposição, mas preferencialmente nas duas primeiras horas. A profilaxia pós-exposição está disponível em 16 serviços de saúde da capital que funcionam de segunda a sexta, das 7h às 19h, e em 32 unidades que estão abertas 24 horas. Os endereços estão disponíveis neste link.

“A PEP dura cerca de um mês, podendo ser repetida quantas vezes for necessária. Já a PrEP é contínua, sem interrupção, até quando for o desejo do paciente parar”, afirma Dr. Robinson Fernandes de Camargo, médico e consultor técnico do Programa Municipal de DST/AIDS (PM DST/AIDS), órgão da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo.

O doutor explica ainda que para a PrEP começar a ter eficácia é preciso tomar os ARVs por pelo menos sete dias consecutivos para relações sexuais anais e por vinte dias para o sexo vaginal. “É importante reforçar que tanto a PEP quanto a PrEP fazem prevenção apenas ao HIV. Não podemos esquecer que existem outras infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs. Por isso, a recomendação é de usar o preservativo”, conclui.

 

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