O Banco Mundial Está Tentando Silenciar Seu Crítico LGBT Mais Franco?

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Um oficial sênior do Banco Mundial — a instituição financeira internacional que fornece empréstimos para países em desenvolvimento — deixou seu cargo de presidente da organização de funcionários LGBT do banco na última semana em meio a acusações de falsas acusações influenciadas pelo banco contra ele em retaliação ao seu criticismo do presidente e liderança financeira do banco.

De acordo com o correspondente mundial do BuzzFeed News J. Lester Feder, o banco abriu uma investigação contra Fabrice Houdart — um “oficial sênior para o Oriente Médio e África do Norte” — por supostamente vazar um documento bancário sobre condições ambientais e de direitos humanos de países com empréstimos.

Mas o vazamento supostamente ocorreu mais de um ano atrás, e funcionários anônimos do Banco Mundial disseram ao Feder que o momento em que isso ocorreu foi uma tentativa de descreditar Houdart antes de um eleição no próximo mês, onde ele poderia se tornar o próximo presidente da associação dos funcionários. Se eleito, Houdart provavelmente incentivaria os funcionários a pressionarem o banco para que este prestasse mais atenção às suas finanças internas e o impacto aos direitos humanos de seus empréstimos.

A investigação também está sendo conduzida por Locke Lord — uma advocacia que Houdart criticou recentemente em seu blog pessoal na intranet do banco — “ao invés dos oficias internos do banco, que geralmente investigam má conduta de funcionários”, Feder disse.

Feder diz:

“[Houdart] mantinha um blog interno na intranet do banco que criticava fortemente a gestão financeira feita pelo time de liderança de Jim Yong Kim (Presidente do Banco Mundial). Em outubro, Houdart descobriu contabilidade que revelava um bônus de $94.000 ao chefe de finanças do banco, Bertrand Badré, enquanto o banco anunciava centenas de demissões para satisfazer o plano de Kim para cortar $400 milhões do orçamento operacional. Esse foi um ponto crucial onde começaram protestos de funcionários que só aumentaram, e enfim Kim realizou uma reunião pública na qual ele anunciou que Badré abriria mão do bônus.”

Aqui está porque isso importa: o Banco Mundial é uma instituição grandiosamente poderosa com mais de 180 países membros e a habilidade de afetar imensamente políticas culturais e financeiras numa escala global. Por exemplo, depois que a Uganda aceitou um projeto de lei em 2013 punindo a homossexualidade com prisão perpétua, o atual presidente do Banco negou ao país um empréstimo para assistência médica de $90 milhões; um movimento conseguido por ativistas LGBT ao redor do mundo.

Se for verdade que o banco está usando essa investigação como uma forma de intimidar um de seus críticos internos —um importante mandachuva gay que expôs um bônus secreto ao chefe de finanças do Banco Mundial e que é o maior crítico do Presidente Jim Yong Kim — então isso indica uma corrupção muito mais profunda e clima de medo na instituição indestrutível.

O banco foi criticado no passado por se aproveitar de países mais pobres em benefício dos membros de suas nações mais ricas. Se as fontes anônimas de Feder estiverem corretas, a instituição está silenciando o que seriam os reformistas do Banco Mundial, ao invés de lidar com suas próprias falhas.

Feder também deveria ser elogiado por descobrir essa estória. Ele é um dos mais notáveis jornalistas cobrindo assuntos LGBT internacionalmente, e chamou atenção aos barris de pólvora como o uso da homofobia por Putin para manter o Leste Europeu fora da União Europeia, o Papa comparando pessoas transgêneros a armas nuclear, e o assédio contínuo no Egito de cidadãos gays e transgêneros, entre outros importantes desenvolvimentos mundiais.

A atenção que Feder trouxe a este desastre poderia muito bem mudar as coisas a favor de Houdart e drasticamente reformar o Banco Mundial de dentro para fora.

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