Há 30 anos ‘Ranma 1/2’ ajudou crianças a entender problemas dos trans

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Temas estranhos em animes (desenho animado) e mangás (quadrinhos) não são novidade. Yaoi e Yuri estrelam papéis gays cheios de fetiche para públicos héteros. Já o mangá Bara mostra personagens homens e gays para públicos gays. E, para melhor ou pior, crianças japonesas estão aprendendo sobre a comunidade LGBTQ através de animes e mangás.

Mas as crianças japonesas não foram as únicas a aprender estas “coisas diferentes” nos animes. Sailor Moon mostrou a todas as crianças gays do mundo uma relação lésbica bem saudável (mesmo que em algumas traduções elas fossem chamadas de “primas”). E se algum fã de Sailor Moon quis mergulhar mais fundo nesse mundo, sua próxima parada foi algo do tipo Ranma 1/2.

Ranma 1/2 é um adolescente, chamado Ranma, que estuda Artes Marciais desde que era criança. A abertura do desenho começa com o Ranma mudando para sua nova casa: um dojo, junto com o amigo de seu pai e suas três filhas. Uma dessas filhas, Akane, foi selecionada para ser sua noiva em um casamento arranjado.

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Aqui vai uma informação valiosa: graças a um acidente durante um treino, Ranma e seu pai caíram em uma fonte amaldiçoada. A maldição: quando uma pessoa cai numa dessas fontes, ela toma a forma de quem se afogou lá, toda vez que se toca em água fria. A água quente reverte a maldição, pelo menos até que a pessoa toque de novo na água fria (o que acontece com mais frequência do que se imagina).

Quando o efeito acontece, o pai de Ranma se transforma no Panda que se afogou na sua fonte, e isso acontece toda vez que ele se molha. Já Ranma, caiu em um fonte onde se afogou uma mulher, e troca de sexo sempre que entra em contato com a água. Diversão pura.

ranma 1/2 both forms
Both forms of Ranma

E como se divertiram: foram 161 episódios de Ranma 1/2. Sem contar os 15 jogos de videogame, 3 participações em filmes, 12 filmes exclusivos, 1 live-action e 9 fã clubes. Como muitos animes, Ranma 1/2 foi baseado em um mangá— que lançou 38 volumes ao longo de 9 anos. Ranma 1/2 foi criado por Rumiko Takahashi — o famoso cartunista por trás de outras séries famosas, InuYasha entre elas.

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Não vamos mentir— Ranma 1/2 não falava somente de gênero. A maldição de Ranma era mais usada para causar risadas, colocando ele em situações problemáticas envolvendo seus seios. Claro, o show começou em 1989 ( e só foi traduzido em 1993), então o uso da palavra “problema” não é surpresa dentro do desenho.

É até mais surpreendente que o Ranma 1/2realmente tinha algo de espirituoso em suas histórias sobre as dificuldades de gênero. Como Aurora Tejeida aponta, em uma história Ranma está confuso devido a um sonho homoerótico com sua própria forma feminina— mesmo depois de entender como funciona sua maldição.

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Mas Ranma 1/2 não é o único anime a tratar da transexualidade— o excepcional Wandering Son é até uma escolha melhor para isso— afinal ele foi um dos primeiros. Em um tempo pré-Steven Universe, crianças tinham que buscar modelos alternativos sem muitas opções para escolher. (Juntamente com Steven Universe, crianças trans têm o pequeno show ao vivo SheZow e isso já é o suficiente.)

Para algumas crianças dos anos 90, Ranma 1/2 foi o primeiro contato com alguém que pode ter seu gênero diferente de seu sexo, e por essa única razão, já é importante. Estamos aqui esperando por mais produções como essa para crianças de todas as cores e formas, assim elas não serão obrigadas a seguir modelos imperfeitos.

  • Rodrigo Rodrigues

    Eu amava ♥