Read Only Memories: Uma Ficção Científica Noir Com Um Toque LGBT

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Read Only Memories: A New Cyberpunk Adventure é um jogo de ficção científica retrô LGBT-friendly fortemente influenciado pelos jogos do início dos anos 90 como Snatcher. Ambientado em 2064 na Neo-San Francisco, Read Only Memories foca em um mistério envolvendo o primeiro sapiente de inteligência artificial do mundo, os direitos dos híbridos humano-animal, neo-luditas e uma conspiração corporativa sombria (obviamente).

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Como é a jogabilidade?

Read Only Memories tem muitos diálogos. Tirando algumas poucas e curtas partes tipo arcade, a jogabilidade é em sua maioria no estilo aventura retrô point-and-click, como um jogo antigo da Sierra como a série Leisure Suit Larry e Phantasmagoria (só que sem o nível sadista de dificuldade). A ênfase aqui é na narrativa e na construção do mundo, não na ação.

O jogo é bem direto em termos de te dizer o que você precisa fazer em seguida, então é improvável que você fique empacado se perguntando onde você deveria ir. Além disso, os enigmas são bem simples e são resolvidos com naturalidade. Você não vai dar de cara com aquela base de design sem imaginação de game de aventura conhecida como a Arbitrary Sliding Puzzle, graças a Inanna.

O quão LGBT é?

Super queer. Os personagens LGBT são mais numerosos que os personagens cisgêneros heterossexuais (apesar de que talvez o urso polar mordomo aprimorado ciberneticamente seja hétero?).

De qualquer maneira, grande parte do elenco principal é LGBT. O hacker com cabelo de arco-íris TOMCAT é de gênero não-binário; o protagonista tem a opção de ser não-binário também. Lexi Rivers, a obrigatória detetive de polícia mal humorada, já esteve em um relacionamento homoafetivo com a irmã do protagonista. O bartender corpulento, uma das suas maiores fontes de informação no jogo, administra sua boate com a ajuda de seu adorável marido ursinho. A robô faladeira sem gênero com quem você passa a maior parte do seu tempo se chama Turing, uma referência ao brilhante cientista da computação que o governo britânico perseguiu por ser gay.

No cenário desse jogo, ser LGBT não é um grande problema. Não é um grande ponto da trama ou uma grande revelação. Não é estranho ou trágico, o jogo evita o clichê irritante de que “gays sempre acabam mal ou mortos” que tanto contamina a cultura popular. Ser LGBT é só uma faceta comum e normal da vida.

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Escolhendo os pronomes de preferência do protagonista.

Quem deveria jogar isso?

A grande ênfase do jogo na construção do mundo tecno-fetichista deve agradar aos geeks de computador. O conceito de Singularidade — o ponto onde a capacidade intelectual e de reprodução dos robôs superam a da humanidade — é fortemente invocado e mencionado diretamente.

Para vocês que cresceram no final dos anos 80 ou início dos anos 90 vão curtir a estética retrofuturista do jogo. Os pixels grossos, a moda neon, a trilha sonora no estilo dos cds da Sega e o enredo sobre obsessão por tecnologia é pura nostalgia. E o elenco diverso deve agradar aos geeks LGBT que querem se ver mais representados nos jogos que eles jogam.

Resumindo, Read Only Memories é um jogo para qualquer um que já leu o romance dos anos 90 Snow Crash e desejou que Hiro, o investigador heroico, dispensasse a Y.T., a entregadora skatista adolescente e desse uns pegas logo no Raven, o mestre do arpão galã.

Publicado anteriormente em 12 de janeiro de 2016.


GX, ou GaymerX, é um “espaço queer”; uma convenção anual em Santa Clara, Califórnia, onde painéis focam em temas queer, mas todos são convidados e bem-vindos. Como um patrocinador de mídia orgulhoso do GaymerX, o Unicorn Booty cobre questões dos games de todos os tipos. Ingressos estão disponíveis em GaymerX.com.