Russell Tovey Está ‘Chateado’ Por Seus Comentários Sobre Ser Masculino Ofenderem as Pessoas, Mas Ele Ainda Não Entendeu a Questão

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Em uma entrevista de março de 2015 para o The Guardian, o galã assumidamente gay Russell Tovey agradeceu seu pai por mandá-lo para uma escola onde não era permitido dar pinta, cantar na rua e ser “super afeminado” caso contrário ele não se tornaria um ator masculinizado que consegue papéis de personagens héteros. Compreensivelmente, seu comentário ofendeu muitas pessoas que acham que não há nada pelo que ser grato por se conformar com estereótipos de gêneros ultrapassados.

Apesar da masculinidade e do fato de não ser afetado ajudar o Tovey a ganhar papéis, também reforça a homofobia e a misoginia enraizada da indústria do entretenimento. Não tem problema ele apreciar seu próprio comportamento machinho — muitas pessoas queer se sentem da mesma maneira sobre elas mesmas. Mas é uma pena que ele não use seu privilégio e sua plataforma para defender uma mudança maior.

Tovey não deveria ter agradecido seu pai por tê-lo ajudado a se conformar, pelo contrário, ele deveria ter chamado a atenção da indústria por aderir tão rigorosamente a papéis de gênero inúteis. Ao abrir o bico suas chances de conseguir futuros papéis se prejudicariam, mas também poderia dar início a uma conversa maior sobre por que essas noções ridículas de masculinidade e feminilidade binária persistem na mídia moderna.

Apesar de ele ter se desculpado por ter ofendido as pessoas quando fez o comentário originalmente, Tovey recentemente demonstrou arrependimento mais uma vez pela mágoa causada por seus comentários, afirmando:

“As coisas saem de uma maneira que você não pretende que elas saiam. Foi um momento bem desagradável para mim. Eu não estava esperando esse tipo de atenção… Eu aprendi muito com isso e cresci com isso. Me fez me sentir mais apaixonado pela minha responsabilidade, que eu não dava valor. Eu nunca me propus a ser outra coisa além de um ator, mas quando você é parte de qualquer minoria e ser torna bem-sucedido você ganha um status de embaixador, e estou de boa com isso agora.”

“É o fenômeno das mídias sociais. Você sempre vai deixar algumas pessoas chateadas não importa o que você fale. Você pode falar, ‘Eu gosto muito dessa camiseta azul’, e aí outras pessoas vão falar, ‘Azul me deixa triste, como ousa?’. Eu descobri que você apenas tem que ser verdadeiro consigo mesmo, ser uma boa pessoa e o trabalho deve falar por si só”.

O que deixa tudo mais estranho é que Tovey vai interpretar um atleta (sem camisa usando cueca) enrustido no filme The Pass. No trailer, ele diz, “O mundo está repleto de pessoas fingindo ser algo que elas não são.” De fato. Não é de se admirar que tão poucos atletas saiam do armário considerando os altos índices de queerfobia nos esportes.

Certamente Tovey percebe que Hollywood e o esporte profissional desencorajam muitos outros atletas e artistas a se assumirem, por isso eles permanecem no armário para terem uma chance de sucesso na carreira. Tovey poderia ajudar a desmantelar essas expectativas. Por exemplo, interpretar um personagem gay (beijando homens e andando por aí de cueca) costumava destruir carreiras, uma maneira rápida de ser estereotipado para interpretar somente papéis gays. Mas muitos artistas corajosos que vieram antes de Tovey ajudaram a abrir as portas para que Tovey e outros atores pudessem fazer isso agora sem destruir suas carreiras.

Tovey poderia ajudar a fazer o mesmo por atores afeminados, mas primeiro ele tem que correr esse risco e dizer algo em nome deles.

Aqui está o trailer de The Pass:

E aqui um trecho exclusivo no qual ele seduz um colega de time:

Traduzido por Rafael Lessa.