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Seu Personagem Favorito Da TV É Um Desses 8 Bissexuais?

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Nolan Ross — nosso hacker de computador bilionário favorito na série da ABC Revenge — nos fez passar por altos e baixos. A princípio ele pareceu ser um vilão frio pronto para atrapalhar a vingança da protagonista. Mas então, gradualmente se tornou um aliado, disposto a hackear qualquer telefone ou computador por ela. Finalmente, ele acabou a acompanhando até o altar no final da terceira temporada. Agora ele é o nosso personagem preferido e um dos mais complexos bissexuais da TV.

Com sua aparição, é oficial — bissexuais se transformaram nos personagens de apoio preferidos da televisão.

Enquanto algumas séries como Game of Thrones retratam homens bissexuais como mestres da manipulação, outros como Hollyoaks parecem não reconhecer um comportamento bissexual óbvio de um personagem. Não é incomum os programas exibirem homens bissexuais como psicopatas pervertidos extremos — como T-Bag, o estuprador pedófilo de Prison Break e Chris Keller em Oz que tem como passatempos estupro, homicídio e tortura. As vezes um personagem que é aparentemente bissexual acaba sendo revelado como um gay confuso, que é o caso do Blain em Glee.

Independentemente da comunidade bi achar positivo ou não o número limitado de personagens masculinos bissexuais na televisão, a TV nos deu pelo menos alguns realmente muito interessantes.

Aqui estão os oito mais intrigantes entre eles e porque esse personagens — com todos seus defeitos — são tão cativantes.

 

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Craig Dean

Interpretado por: Guy Burnet

Série: Hollyoaks, uma novela britânica que retrata principalmente adolescentes e jovens na faixa dos vinte anos. Hollyoaks estreou em 1995 no Channel 4; o personagem Craig Dean apareceu da temporada de 2002 até 2007 e depois em 2008.

Porque Ele é Demais: Apesar de ser retratado originalmente em Hollyoaks como heterossexual, Craig Dean eventualmente desenvolveu sentimentos por seu amigo John Paul McQueen. Enquanto John — que inicialmente está no armário e esconde seu amor por Craig — logo se assume como gay, as coisas não são tão simples para Craig.

Talvez um dos mais claros exemplos de apagamento bissexual na TV, esse adolescente em conflito é retratado inequivocamente sentindo atração tanto por um homem quanto por uma mulher, e mesmo assim ele nunca considera a possibilidade de bissexualidade. Em vez disso, Craig gasta sua energia tentando decidir se ele é gay ou hétero.

Tumulto e drama rolam soltos enquanto Craig não consegue aceitar a ideia de se envolver com seu amigo gay, apesar de querer muito porque ele não é gay, e gosta muito da sua namorada.

Níveis intensos de medo, confusão e um amor-que-nada-pode-parar se encontram na cena corta-coração da primeira relação sexual do Craig com o John. Tragicamente, essa cena acaba com uma demonstração de homofobia internalizada. Craig vai de tremer por não conseguir mais conter seu desejo por John, para chamar o seu amado na cara de viado depois de consumar o fato.

O personagem, Craig, gerou bastante reação e interesse dos fãs desse programa que ganhou muitos prêmios, incluindo discussões em fóruns como este que começa com “Eu sei que isso foi há séculos atrás, mas o Craig Dean é gay agora?” e outro com uma sinopse super fofa do romance do casal.

 

Tobias Beecher

Interpretado por: Lee Tergesen

Série: Oz, um drama ambientado em uma prisão que estreou na HBO em 1997 e teve seis temporadas.

Porque Ele é Demais: Em Oz a gente acompanha a jornada de Tobias Beecher, em que ele vivia como um heterossexual casado e passa a ser violentado na prisão e finalmente se apaixona por outro prisioneiro, o bissexual Chris Keller.

As aparentes inumeráveis cenas explicitamente violentas de Oz – por exemplo o psicopata Keller acha necessário assassinar brutalmente os peguetes do Beecher enquanto estavam separados — são compensados por momentos super fofos entre esses dois, como o beijo de despedida depois que Keller confessa um crime que não cometeu para proteger Beecher.

Em uma retrospectiva em 2007, o crítico Michael Jensen maravilhosamente resumiu a beleza da série:

“Estreando antes de Will & Grace ou Queer As Folk, e durando até o meio de 2003, Oz sem dúvidas fez um melhor trabalho que ambos em exibir o espectro completo da sexualidade masculina. O drama retrata convincentemente as inúmeras possibilidades que a sexualidade pode ser expressada entre homens, seja gay, bi ou hétero. Também daria aos telespectadores um dos relacionamentos entre homens mais memoráveis da televisão através do longo, poderoso e complexo romance entre prisioneiros…”

O criador de Oz, Tom Fontana, também era co-produtor executivo de Homicide: Life on the Street (Homicídio) que também tem um personagem nessa lista.

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Frank Underwood

Interpretado por: Kevin Spacey

Série: House of Cards, um drama político que estreou no Netflix em 2013.

Porque Ele é Demais: Apesar de House of Cards ainda não ter tratado diretamente da identidade sexual do Frank Underwood, ele parece ser um homem forte e masculino que não tem vergonha de ser e é descaradamente bissexual. Sua mente controladora e manipulativa é o centro de grande parte da ação da série, mas ainda assim Underwood é retratado como um personagem complexo e cheio de nuances.

O relacionamento intrigante de Frank com sua esposa Claire é especialmente interessante. A união sofisticada e pra frentex exibe um alto grau de respeito mútuo que um tem pelo outro como indivíduos, incluindo a a liberdade de explorar a sexualidade não se prendendo à exclusividade do casamento. Para não deixar dúvidas da modernidade do casal, após fazerem sexo a três com outro homem, na manhã seguinte, Clare fala para seu marido, “Você precisava disso.”

Ver a bissexualidade retratada por um personagem já na faixa dos 50 (quando grande parte dos programas focam na vida sexual de adultos jovens), dá um ar a mais de qualidade para o seriado.

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Oberyn Martell

Interpretado por: Pedro Pascal

Série: Game of Thrones, um drama-fantasia da HBO que estreou em 2011; Oberyn é um dos personagens principais na temporada de 2014.

Porque Ele é Demais: “Quando se trata de amor, eu não escolho lados.” Um inegavelmente homem masculino declarando inequivocamente sua atração por homens e mulheres — bem ali na nossa TV!

Também não é nem um pouco tímido ao expressar esses desejos, somos introduzidos ao Príncipe Oberyn em uma cena onde — depois de ajudar sua namorada a escolher uma prostituta para ela — ele manda um prostituto, que mostra resistência, tirar a roupa e depois agarra ele pelo meio das pernas.

Pedro Pascal falou sobre o seu personagem em Game of Thrones:

“O Víbora Vermelha (Red Viper) aproveita a vida. Ele não discrimina em seus prazeres. Esse é o jeito que ele entende a vida, aproveitar o máximo. E se limitar em termos de experiência não faz nenhum sentido para ele — o que é bonito é bonito… Ele é um amante e um lutador. Ele vai fazer, tudo, em sua plenitude… literalmente não faz sentido se negar algo bonito, seja um vinho ou uma comida, um homem ou uma mulher.”

Apesar dessa filosofia alimentar o estereótipo de que bissexuais não são discriminados, pelo menos é afirmativa e não é cheia de desculpas. Muitos de nós também tem dificuldade em contrariar o argumento de que a vida deve ser aproveitar ao máximo, e que “o que é bonito é bonito.”

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Captain Jack Harkness

Interpretado por: John Barrowman

Série: Torchwood foi ao ar no canal britânico Starz de 2006 a 2011, Doctor Who já foi exibido em vários canais da BBC desde 1963. O personagem Capitão Jack apareceu a primeira vez em um papel de destaque na temporada de 2005 de Doctor Who e então virou o personagem principal na série adulta de ficção científica Torchwood, apesar de ainda aparecer em alguns episódios de Dr. Who em outras temporadas.

Porque Ele é Demais: Um personagem muito adorado que habitou por muito tempo a televisão convencional britânica, Capitão Jack Harkness, tem até seus próprios bonecos de ação! É de se admirar que o criador do seriado conseguiu alcançar isso tudo, anos atrás, com um personagem bissexual masculino.

Sobre a criação de Jack Harkness, o autor e produtor Russell T Davies falou ao New York Times:

“Eu pensei: ‘Está na hora de você introduzir bissexuais na televisão convencional devidamente.’” Na mesma entrevista, ele explica, “O drama mais chato seria… ‘Ó, eu sou bissexual, ó que sofrimento’ drama noturno. Entediante, sem graça. Mas se você diz que é um pirata espacial bissexual cheio de atitude com armas e descaramento e humor no horário nobre que as famílias assistem televisão: isso me atraia muito.”

O autor, Steven Moffat disse que, “Pareceu certo que o James Bond levaria qualquer um para a cama. [Capitão Jack está] muito ocupado salvando o mundo para se preocupar qual região genital é melhor.”

John Barrowman, o ator dá vida à Jack Harkness, disse sobre seu personagem, “Eu acho que o público entende o Jack porque ele é honesto … finalmente ver um personagem que não se importa com quem ele flerta, acho que é refrescante.”

De fato, o retrato divertido, aventureiro, despretensioso da sexualidade de Jack fez com que o personagem fosse aceito e atraente para fãs de todas as orientações.

Não é surpresa que no AfterElton 2008 Visibility Awards, o Capitão Jack ganhou o prêmio de Personagem de TV Favorito, Torchwood ganhou Drama de TV Favorito e o Capitão Jack e seu namorado Ianto ganhou Casal da TV Favorito.

is-your-favorite-tv-character-one-of-these-9-bisexuals_fJoe MacMillan

Interpretado por: Lee Pace

Série Halt and Catch Fire, um drama de época exibido pelo canal AMC que estreou em 2014.

Porque Ele é Demais: Assim como House of Cards e Torchwood, crueldade e a busca de ganhos pessoais se interligam elaboradamente com muitas da cenas de sexo em Halt and Catch Fire. No entanto, apesar do personagem principal, bissexual, Joe MacMillan use a sexualidade como uma ferramenta de manipulação — por exemplo, quando ele seduz o cara que era o objeto sexual de uma mulher de negócios que faz ele se sentir ameaçado — seus relacionamento com outros homens e mulheres claramente demonstram também uma atração autêntica.

A gente embarca no passeio de montanha-russa em que Joe, emocionalmente-controlado, lentamente passa a perder a batalha (contra ele mesmo) de não se apaixonar por sua colega Cameron. Então acabamos descobrindo através de uma conversa que Joe já teve um relacionamento parecido com um homem.

A história se passa no início dos anos 80, durante o boom dos computadores pessoais. O que ainda era naquela época um praga misteriosa aparece no seriado do mesmo jeito que apareceu na vida de muitas pessoas nesse período. Uma simples mas ainda assim profunda revelação de um caso do passado precisando se despedir porque ele ficou doente, sutilmente relembra a dor e trauma dessa era.

is-your-favorite-tv-character-one-of-these-9-bisexuals_gTim Bayliss

Interpretado por: Kyle Secor

Série: Homicide: Life on the Street (Homicídio), uma representação fictícia do Departamento de Homicídios da Polícia de Baltimore que foi exibido na NBC de 1993 até 1999.

Em Tim Bayliss temos um personagem profundo e de muitas facetas com problemas profundos e de muitas facetas, sendo um deles o fato de que o detetive bonzinho percebe que se sente atraído por homens e mulheres. Assim como muitos bissexuais da vida real, ele não é indiferente mas também não é neurótico quanto a isso — ele só tá tentando entender a questão.

Fenomenalmente, cenas do Detetive Bayliss se assumindo como um homem que se sente atraído por homens e mulheres foi ao ar em em 1998. Não, não foi um erro de digitação. Foi em 1998 mesmo! Para colocar isso em perspectiva, isso foi oito meses depois do episódio que a Ellen sai do armário e também oito meses antes da estreia de Will & Grace.

Nesse drama policial ganhador do Emmy, nós vemos Tim se assumir para uma possível namorada nessa cena tocante, que acaba com ela sendo super compreensiva.

Em outra cena, Tim Bayliss admite para seu parceiro detetive que ele aceitou ter um encontro com um cara gay. Em uma conversa provocante, onde Tim foi desafiado por uma mulher que poderia ter um encontro com ele para descrever sua sexualidade, ele responde, “Interessado na beleza e maravilha do universo… umm… aberto a todas as complexidades e possibilidades de existência – bi-curioso.”


Harrie Farrow é o autor do romance bissexual, Love, Sex, and Understanding the Universe. Ela é uma ativista bissexual que combate a bifobia no Twitter como @BisexualBatman e escreve um blog sobre bissexualidade. Ela também escreve na coluna The BiAngle para o jornal regional LGBT, The Gayly.

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