Escola em Fortaleza expulsa aluna trans de 13 anos

A Escola Sesc Educar em Fortaleza, está sendo acusada de transfobia, após “expulsar” uma aluna trans do quadro de alunos. De acordo com publicação da mãe Mara Beatriz, sua filha Lara de 13 anos teria sido expulsa da escola mesmo apresentando excelentes notas. A mãe alega que a escola cometeu transfobia e publicou em suas redes:

“Venho repudiar a atitude da Escola Educar Sesc, ligada ao Sistema Fecomercio, que hoje EXPULSOU minha filha trans de 13 anos, que lá estuda desde os 2 anos de idade, numa clara PRÁTICA TRANSFÓBICA” diz a publicação.

O relato da mãe da estudante transgênero está mobilizando as redes sociais, a instituição, por sua vez, divulgou um comunicado no qual lamenta o ocorrido assegurando que a aluna tem sua matrícula garantida na escola, além de emitir um pedido de desculpas.

Segundo a publicação da mãe, ela foi chamada na escola para uma reunião nesta terça dia 11 na qual a diretoria da escola pediu que a família procurasse uma outra instituição de ensino para a adolescente. No mesmo dia, ela registrou ocorrência sobre o caso na Delegacia de Combate a Exploração da Criança e Adolescente (Dececa). De acordo com publicação do site O POVO, a escola não negou as “recomendações” e segundo a diretora pedagógica Marta Araújo Pereira, “o Sesc não teria nada a declarar”.

“Hoje (esta terça-feira), no cúmulo da transfobia, me chamaram pra uma reunião e ‘recomendaram’ que nossa família procure outra escola, que possa atender ‘as necessidades’ dela. Admitiram que ela é uma ótima aluna, com boas notas e comportamento, mas não vão fazer a matrícula dela para o ano de 2018”, escreveu a mãe da menina.

“Simplesmente a expulsaram, a enxotaram. E quando eu questionei nos escorraçaram: ‘os acompanhem, já terminamos a reunião’. Lara e nós, pais, nunca nos sentimos tão constrangidos, humilhados, diminuídos, desrespeitados”, disse a mãe.

No entanto, a Escola Educar Sesc se manifestou por meio de uma nota na página Sesc Ceará, no Facebook, em que garante a matrícula dela no próximo ano letivo:

“O Sistema Fecomércio e a Escola Educar Sesc de Ensino Fundamental, em Fortaleza, repudiam qualquer atitude de preconceito. A Escola está averiguando os fatos e tomando as devidas providências. A premissa básica do Sistema Fecomércio-CE é inclusão e educação. Analisamos o caso e a aluna tem matrícula assegurada em 2018, como todos os veteranos”.

Segundo Mara, a escola não vinha respeitando a norma 12/2015, que “garante o reconhecimento e adoção do nome social em instituições e redes de ensino de todos os níveis e modalidades, bem como o uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero de cada sujeito”.

 

“Desrespeitava o nome social, colocando o nome civil em todos os registros, tais como frequência, avaliações, boletins, a submetendo ao constrangimento. O banheiro feminino também lhe foi negado, com a recomendação que usasse o banheiro da coordenação. Depois, a impediram de pegar a carteirinha de estudante com o nome social (como a Etufor garante) porque se negaram a confirmar a matrícula dela, o que causa danos morais e também financeiros, uma vez que ela não pode exercer seu direito à meia”, afirma.