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VIDEO: Cazwell Mistura Gostosos Do Oriente Médio E Estereótipos Em “The Biscuit”

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Cazwell acabou de lançar o vídeo para “The Biscuit,” seu oitavo (!) single do álbum do ano passado Hard 2 B Fresh, e conta com o rapper de Massachusetts e seus dançarinos em umas tanguinhas, cabeças cobertas por keffiyehs e peles bronzeadas, cheias de óleo, e closes de bundas balançando. A música e o vídeo tem um toque do Oriente Médio, com um mizmar eletrônico fornecido pelo DJ Naaldekoker, da África do Sul — a música basicamente é o Cazwell fazendo rap na batida da música do Naaldekoker “Ek Smaak Jou.”

O vídeo conta com Cazwell e seus dançarinos alternando na frente de uma tela verde, imagens de pirâmides, camelos, cobras, uma cabeça de esfinge e balas aparecendo atrás deles. Cazwell usa sobre os ombros cintos de balas douradas brilhantes de metralhadora, além de acessórios para a cabeça nada discretos. O vídeo oscila entre apreciação cultural e apropriação: sua imagens reforçando preconceitos de nômades do deserto, insurgentes armados, e encantadores de cobra enquanto usa homens barbados do Oriente Médio como colírios exóticos — tudo como pano de fundo para uma música sobre bundas e transar.

“Nós criamos uma paisagem vibrante que se justapõe imagens do Oriente Médio com gráficos que se associaram com movimentos de arte da internet como Vaporwave e Seapunk,” diz Cazwell. Quando perguntado se ele está preocupado que o vídeo possa parecer insensível culturalmente, especialmente no que diz respeito às balas, Cazwell é franco: “Eu estou quase sempre convencido que eu vou ofender alguém com quase todo vídeo que eu lanço. Incluindo esse, mas nunca é meu objetivo.”

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“Esse vídeo é provocante,” diz Sean Howell, o cofundador e CEO do Hornet, o app de relacionamento gay por trás de “The Biscuit.” Ele continua: “Cazwell está dando um pouco de tapa na nossa cara com esse vídeo. Cazwell diverte, quebra barreiras, confronta estereótipos e por isso, nossos usuários amam ele.” Para Howell, o vídeo não reflete apenas um preconceito cultural sobre o Oriente Médio, mas também potencialmente chama atenção para a opressão que homens gays e bissexuais enfrentam lá.

Howell tem um ponto; a vida real de homens gays e bissexuais no Egíto e no Oriente Médio não é só encantamento de cobra e dança do ventre. Desde 2013, houveram pelo menos 77 pessoas LGBT presas pela polícia egípcia, alguns deles foram localizados através dos apps de relacionamento gay e bi como Grindr. Em Abril  de 2015, um tribunal egípcio determinou que a nação tinha o direito de bloquear ou deportar quando imigrante abertamente gay de suas fronteiras como uma maneira de “proteger o interesse público e valores religiosos e sociais.”

Homofobia não ocorre somente no Egito, pois muitos outros países do Oriente Médio não tem qualquer lei protegendo os direitos de casais de homens gays e bissexuais de se casarem, criar crianças ou viver livre de discriminação. No mês passado, o Estado Islâmico de acordo com notícias empurrou dois homens gay para suas mortes em uma antiga cidade da Síria, a polícia turca atacou os participantes da parada do orgulho gay e um fanático judeu ultraortodoxo esfaqueou seis pessoas na parada gay de Jerusalém. Mais recentemente, um vídeo de dois homens sofrendo abuso homofóbico enquanto andavam de mãos dadas em Jerusalém se tornou viral na internet.

Cazwell "Biscuit" video, presented by Hornet

Porém, é também um erro reduzir as experiências de homens gays e bissexuais do Oriente Médio a esses exemplos violentos. Israel e Egito tem uma cena de turismo gay bem viva, apps sociais gays e bissexuais como o Hornet continuam a prosperar com grande números de usuários no Oriente Médio, e recentemente o ator egípcio abertamente gay Omar Sharif Jr. discutiu a homossexualidade em uma entrevista histórica, nunca vista antes na televisão egípcia.

Por outro lado, a lista de músicas sobre “biscoito” é mais longa do que você possa imaginar, contendo músicas do Portishead (“Biscuit”), The White Stripes (“Ball and Biscuit”) e, mais recentemente, Kacey Musgraves (“Biscuits“). E caso não tenha ficado claro, o biscoito na música do Cazwell faz referência tanto às bundas brilhantes em seu vídeo quanto ao trote “amigável” em que um grupo de caras se masturbam em cima de um biscoito (ou cookie, ou cream cracker). O que gozar por último tem que comer o biscoito na frente de todo mundo. Para se ter uma ideia do contexto cultural da brincadeira, é a mesma brincadeira da onde provavelmente o Limp Bizkit tirou o seu nome.

(texto adicional por Daniel Villarreal)

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